Medicina Baseada em Evidências: Pilares e Aplicação Clínica

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024

Enunciado

A medicina com base em evidências (MBE) é um paradoxo que mudou a forma de se praticar a medicina no mundo. O artigo de 1996, de David Sackett, intitulado Evidence based medicine: what it is and what it ins't, define a conceitualização primordial do conceito. Na pandemia de covid‑19, esse conceito foi posto à prova com diversos profissionais de saúde lançando mão de terapias hoje sabidamente inefi cazes para o tratamento da infecção por SARS‑CoV‑2. Um dos tratamentos mais polêmicos foi o uso de ivermectina em quadros com gravidade variável. A respeito da MBE e do uso de ivermectina para a covid‑19, é correto afirmar que o(a)

Alternativas

  1. A) espera por novos dados da literatura, para a tomada de decisão clínica, é um processo que aumenta o risco, por atrasar o início dos tratamentos.
  2. B) ausência de dados da literatura em situações extremas justifica condutas clínicas fundamentadas na autonomia profissional.
  3. C) experiência profissional, que não faz parte da MBE, foi o principal argumento de muitos profissionais para justificar o uso da droga.
  4. D) desejo do paciente é superior aos dados da literatura e da experiência profissional na tomada de decisão clínica.
  5. E) decisão clínica fundamentada em erro e em acerto justifica erroneamente as condutas inseguras.

Pérola Clínica

MBE = Evidência científica + Experiência clínica + Valores do paciente.

Resumo-Chave

A Medicina Baseada em Evidências integra a melhor evidência científica disponível com a experiência clínica do profissional e os valores do paciente. Ignorar a evidência científica, especialmente em situações de incerteza, pode levar a condutas inseguras e justificar erroneamente decisões baseadas em erro.

Contexto Educacional

A Medicina Baseada em Evidências (MBE) revolucionou a prática médica ao propor uma abordagem sistemática para a tomada de decisões clínicas. Definida por David Sackett, a MBE integra a melhor evidência científica disponível, a experiência clínica do profissional e os valores e preferências do paciente. Sua importância reside em promover a segurança do paciente e a eficácia dos tratamentos, evitando condutas baseadas em achismos ou tradições sem comprovação. Durante a pandemia de COVID-19, a MBE foi posta à prova, com a rápida disseminação de informações e a pressão por tratamentos. O caso da ivermectina ilustra a importância de aguardar evidências robustas antes de adotar terapias. A ausência de dados que comprovem eficácia e segurança não justifica o uso de uma droga, e a experiência profissional, embora valiosa, não pode substituir a evidência científica quando esta aponta para a ineficácia ou risco. Para o residente, compreender a MBE é crucial para desenvolver um raciocínio clínico crítico. Isso envolve saber buscar, avaliar e aplicar a literatura científica, reconhecendo as limitações dos estudos e a importância de não ceder a pressões para usar tratamentos sem comprovação. A decisão clínica deve sempre visar o melhor interesse do paciente, fundamentada em evidências sólidas, e não em erros ou acertos isolados que possam levar a condutas inseguras.

Perguntas Frequentes

Quais são os três pilares da Medicina Baseada em Evidências (MBE)?

Os três pilares da MBE são a melhor evidência científica disponível, a experiência clínica do profissional e os valores e preferências do paciente.

Como a MBE se aplica em situações de novas doenças ou pandemias?

Em novas doenças, a MBE exige cautela, priorizando estudos robustos e evitando a adoção de terapias sem evidência de eficácia, mesmo sob pressão, para não comprometer a segurança do paciente.

Qual o papel da experiência clínica na MBE?

A experiência clínica é fundamental na MBE para integrar as evidências com as particularidades de cada paciente, interpretar resultados de pesquisa e aplicar o conhecimento de forma individualizada, mas nunca se sobrepondo à ausência de evidências de eficácia.

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