UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2024
A.M.C., 47 anos, sexo feminino, comerciante, branca, casada, procurou atendimento na UBS Vila Nova em Bragança, Pará, onde reside há 6 anos. Relata que nos últimos anos evoluiu com visão escurecida, turva, com dificuldade de focar objetos, com prejuízo para atividades diárias como leitura, atividades laborais e direção veicular. Relata poliúria, com noctúria. PA em decúbito dorsal: 150x 90 mmHg, circunferência abdominal: 100cm, peso: 92kg, glicemia em jejum 134 mg/dL. Janaína a médica da UBS, considerou o diagnostico inicial de diabetes tipo 2, possível retinopatia diabética e síndrome metabólica. Atenta à medicina baseada em evidências para o melhor tratamento desta paciente, realiza as seguintes condutas (segundo o sistema GRADE para os consensos da literatura): refere a paciente para avaliação oftalmológica (recomendação moderada); indicação de exercício aeróbio como caminhada (forte recomendação) e prescreve metformina (forte recomendação) associação de dois anti-hipertensivos (recomendação moderada) Solicita exames complementares para avaliar a dislipidemia e risco cardiovascular e indicação da terapêutica específica( forte recomendação). Assinale a alternativa correta quanto à conduta da médica.
Conduta médica baseada em evidências (GRADE): Recomendações fortes e moderadas guiam o tratamento e são adequadas.
A conduta da médica é adequada, pois se baseia em recomendações do sistema GRADE, que classifica a força das evidências. Recomendações fortes e moderadas são válidas para guiar a prática clínica, indicando que o benefício ao paciente é bem estabelecido, mesmo que a força da evidência varie. O tratamento de DM2 com metformina, exercício e controle da PA, além da avaliação de complicações, segue as diretrizes atuais.
A medicina baseada em evidências (MBE) é um pilar da prática médica contemporânea, e o sistema GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation) é uma metodologia amplamente aceita para classificar a qualidade da evidência e a força das recomendações. Compreender o GRADE é essencial para residentes, pois orienta a tomada de decisões clínicas, especialmente em condições complexas como Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), hipertensão arterial sistêmica (HAS) e síndrome metabólica. No caso apresentado, a médica adota uma conduta abrangente e alinhada com as diretrizes atuais. A indicação de metformina e exercício aeróbio para DM2, a associação de anti-hipertensivos para HAS, e a avaliação de retinopatia e dislipidemia são todas intervenções com forte ou moderada recomendação. Uma 'forte recomendação' implica que os benefícios superam os riscos e custos, e a maioria dos pacientes deve receber a intervenção. Uma 'recomendação moderada' significa que a confiança nos efeitos é moderada, mas a intervenção ainda é considerada benéfica e pode ser implementada, muitas vezes com consideração das preferências do paciente. Para a prática clínica e provas de residência, é crucial saber que recomendações moderadas não são sinônimo de conduta inadequada ou baseada apenas em opinião de especialistas. Elas refletem um nível de evidência que, embora não seja o mais alto, ainda suporta a intervenção. A capacidade de integrar essas recomendações na avaliação e manejo de pacientes com múltiplas comorbidades é um diferencial para o residente, garantindo um cuidado de alta qualidade e baseado nas melhores evidências disponíveis.
Uma forte recomendação no sistema GRADE significa que a maioria dos pacientes se beneficiará da intervenção e que os benefícios superam claramente os riscos e custos. Geralmente, é baseada em evidências de alta ou moderada qualidade, e a confiança na estimativa do efeito é alta.
Uma recomendação moderada indica que a confiança na estimativa do efeito é moderada, e os benefícios podem não superar os riscos e custos tão claramente quanto em uma forte recomendação. A decisão de implementar a intervenção pode depender mais das preferências do paciente e do contexto clínico, mas ainda é uma conduta justificada por evidências.
Para um paciente com DM2 e hipertensão, as condutas iniciais geralmente incluem modificações no estilo de vida (dieta e exercício aeróbio), início de metformina como primeira linha para o DM2, e terapia anti-hipertensiva, frequentemente com associação de dois fármacos para controle adequado da pressão arterial, além da avaliação de complicações e risco cardiovascular.
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