CEOQ - Centro Especializado Oftalmológico Queiroz (BA) — Prova 2018
À respeito de evidencias cientificas que impactam na pratica clínica, não podemos concordar completamente com a seguinte alternativa:
Evidências para prática clínica → desfechos de saúde-doença (morte, incidência), não apenas substitutos.
A prática clínica deve ser guiada por evidências que demonstrem impacto direto em desfechos relevantes para o paciente, como mortalidade, morbidade ou qualidade de vida. Desfechos substitutos, embora úteis para pesquisa e compreensão, não são suficientes para justificar mudanças amplas na conduta sem validação em desfechos clínicos duros.
A Medicina Baseada em Evidências (MBE) é um pilar fundamental da prática médica moderna, orientando decisões clínicas através da integração da melhor evidência de pesquisa com a experiência clínica e os valores do paciente. A compreensão dos diferentes tipos de desfechos em estudos clínicos é crucial para avaliar a relevância e a aplicabilidade das evidências. Desfechos de saúde-doença, como mortalidade, incidência de doença, hospitalização ou qualidade de vida, são considerados "desfechos duros" e representam o impacto direto de uma intervenção na vida do paciente. Por outro lado, os desfechos substitutos, como marcadores bioquímicos (ex: níveis de glicose, colesterol) ou fisiopatológicos (ex: pressão arterial), são medidas indiretas que podem correlacionar-se com desfechos duros, mas não os substituem completamente. Embora sejam valiosos para a compreensão da fisiopatologia da doença e para o desenvolvimento de novas terapias, intervenções baseadas exclusivamente em desfechos substitutos devem ser interpretadas com cautela, pois nem sempre se traduzem em benefícios clínicos significativos para o paciente. A mudança na prática clínica deve ser prioritariamente embasada em evidências que demonstrem melhora nos desfechos de saúde-doença. Para a preparação em residência e a prática clínica, é vital que o médico saiba discernir a qualidade e a relevância das evidências. Priorizar estudos com desfechos clínicos centrados no paciente garante que as decisões terapêuticas e diagnósticas resultem em benefícios tangíveis. A análise crítica dos desfechos apresentados em pesquisas permite uma aplicação mais segura e eficaz do conhecimento científico, evitando a adoção de condutas baseadas em melhorias puramente laboratoriais ou fisiológicas sem impacto real na saúde do indivíduo.
Os desfechos podem ser classificados em primários (principais), secundários (adicionais), duros (clínicos e relevantes para o paciente, como morte) e substitutos (marcadores fisiológicos ou bioquímicos).
Desfechos substitutos, como níveis de colesterol ou pressão arterial, são importantes para a compreensão da doença, mas não garantem, por si só, melhora em desfechos clínicos relevantes para o paciente, como mortalidade ou eventos cardiovasculares.
As evidências devem ser baseadas em estudos de alta qualidade que demonstrem impacto significativo em desfechos de saúde-doença relevantes para o paciente, como redução de mortalidade, morbidade ou melhora da qualidade de vida.
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