UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2024
Homem, 68 anos de idade, encontra-se em pósoperatório de cirurgia de revascularização miocárdica, sem intercorrências, com ecocardiograma mostrando função ventricular normal e discreto derrame pleural à radiografia de tórax. Quais medicações devem ser continuadas após alta hospitalar?
Pós-CRM: Manter betabloqueador, IECA, estatina e AAS para otimizar função cardíaca e prevenir eventos futuros.
Após cirurgia de revascularização miocárdica, mesmo com função ventricular normal, a terapia medicamentosa otimizada com betabloqueador, IECA, estatina e AAS é crucial para prevenção secundária de eventos cardiovasculares e melhora do prognóstico a longo prazo. O derrame pleural discreto é comum e geralmente benigno no pós-operatório imediato.
A cirurgia de revascularização do miocárdio (CRM) é um procedimento vital para pacientes com doença arterial coronariana multiarterial ou lesão de tronco de coronária esquerda. O manejo pós-operatório, especialmente a terapia medicamentosa de alta, é crucial para otimizar os resultados a longo prazo e prevenir eventos cardiovasculares futuros. A adesão a essas diretrizes farmacológicas é um pilar da prevenção secundária, impactando diretamente a morbimortalidade. Fisiologicamente, a doença arterial coronariana é uma condição progressiva, e a CRM aborda as estenoses existentes, mas não cura a doença subjacente. Portanto, medicações como betabloqueadores reduzem a demanda miocárdica de oxigênio e melhoram a perfusão, enquanto os IECA/BRA atuam na remodelação ventricular e na disfunção endotelial. As estatinas são essenciais para o controle lipídico e estabilização da placa, e o AAS previne a agregação plaquetária e a trombose. O derrame pleural discreto é uma intercorrência comum e geralmente autolimitada no pós-operatório de cardiotomia, não alterando a conduta medicamentosa de base. Para residentes, é fundamental compreender que a continuidade dessas medicações é uma estratégia de prevenção secundária robusta, baseada em evidências. A escolha da alternativa correta reflete o conhecimento das diretrizes de tratamento da doença arterial coronariana e do pós-operatório de CRM, visando a melhora da qualidade de vida e a longevidade do paciente. A falha em prescrever ou manter essas medicações pode levar a um aumento significativo no risco de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca.
As principais classes de medicamentos indicadas após CRM incluem betabloqueadores, inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA), estatinas e agentes antiplaquetários como o AAS. Essas medicações atuam na prevenção secundária de eventos cardiovasculares.
Betabloqueadores e IECA são recomendados mesmo com função ventricular normal pós-CRM devido aos seus benefícios na modulação neuro-humoral, prevenção de remodelação ventricular adversa, redução da isquemia e melhora do prognóstico a longo prazo, independentemente da fração de ejeção inicial.
As estatinas são cruciais para a estabilização da placa aterosclerótica e redução dos níveis de colesterol, diminuindo o risco de novos eventos isquêmicos. O AAS é um antiplaquetário essencial para prevenir a trombose dos enxertos e a formação de novos trombos nas artérias coronárias nativas, sendo fundamental na prevenção de infarto e acidente vascular cerebral.
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