Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2026
Gestante de 39 semanas apresenta-se com trabalho de parto ativo, dilatação de 7 cm, bolsa rota e mecônio espesso. Qual a conduta mais apropriada?
Mecônio espesso + trabalho de parto ativo → Alerta para sofrimento fetal → Resolução rápida (Cesariana).
A presença de mecônio espesso é um marcador de risco para sofrimento fetal agudo e síndrome de aspiração meconial, exigindo interrupção imediata se houver sinais de comprometimento.
O manejo do mecônio intraparto é um dos temas mais debatidos na obstetrícia. Embora o mecônio possa ocorrer em gestações a termo por maturidade do trato gastrointestinal, sua densidade (espesso vs. fluido) é o principal preditor de risco. O residente deve estar apto a diferenciar o mecônio fisiológico do patológico. A conduta de realizar a cesariana imediata em casos de mecônio espesso visa minimizar o tempo de exposição do feto a um ambiente potencialmente hipóxico e reduzir a chance de aspiração profunda durante as incursões respiratórias fetais (gasping) que ocorrem na hipóxia grave. A agilidade na decisão clínica é crucial para reduzir a morbimortalidade perinatal.
O mecônio espesso (aspecto de 'sopa de ervilha') é frequentemente associado a episódios de hipóxia fetal. A hipóxia estimula o peristaltismo intestinal e o relaxamento do esfíncter anal do feto, levando à liberação de mecônio. Diferente do mecônio fluido, a variante espessa aumenta significativamente o risco de Síndrome de Aspiração Meconial (SAM), que pode causar obstrução de vias aéreas, pneumonite química e hipertensão pulmonar persistente no recém-nascido.
A interrupção imediata, geralmente por cesariana se o parto vaginal não for iminente, é indicada quando o mecônio espesso está associado a padrões anormais de frequência cardíaca fetal (como desacelerações tardias ou variabilidade reduzida) ou quando há sinais claros de sofrimento fetal agudo. Em provas de residência, o mecônio espesso em fase ativa de parto é frequentemente utilizado como um gatilho para a resolução rápida para prevenir desfechos neonatais desfavoráveis.
Na presença de líquido amniótico meconial, a vigilância deve ser contínua através da cardiotocografia intraparto. Deve-se monitorar rigorosamente a frequência cardíaca fetal basal, a variabilidade e a presença de desacelerações. Além disso, a progressão do trabalho de parto deve ser avaliada; qualquer sinal de parada de progressão ou deterioração do padrão de vitalidade fetal impõe a mudança de conduta para o parto operatório.
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