FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Paciente de 7 meses de vida, encaminhada ao pronto atendimento devido suspeita de fratura de fémur direito. O pai refere que a criança teve uma queda da própria altura há 1 dia. Ao exame físico a criança encontra-se chorosa, na inspeção apresenta lesões puntiformes tipo queimadura na região de dorso e membro superior, além de edema na região de joelho direito. Nas radiografias apresenta fratura de canto metafisário em fêmur distal direito, além de fraturas de arcos costais posteriores com sinais de calo ósseo. Assinale a alternativa correta sobre o diagnóstico e conduta.
Fraturas metafisárias/costais posteriores + lesões cutâneas + história inconsistente → alta suspeita de maus tratos infantis.
A combinação de fraturas específicas (canto metafisário, arcos costais posteriores) em um lactente, lesões cutâneas sugestivas de queimadura e uma história de trauma inconsistente com a idade e o tipo de lesão (queda da própria altura em bebê de 7 meses com fraturas graves) é altamente sugestiva de maus tratos infantis. Nesses casos, a conduta prioritária é a proteção da criança, geralmente através de internação e notificação às autoridades competentes.
Os maus tratos infantis representam um grave problema de saúde pública e uma emergência social, exigindo alta suspeição e intervenção imediata por parte dos profissionais de saúde. O reconhecimento precoce dos sinais de abuso é crucial para proteger a criança de danos adicionais. A apresentação clínica pode ser variada, mas certas lesões e padrões de trauma são altamente sugestivos de abuso, especialmente quando a história fornecida pelos cuidadores é inconsistente com as lesões encontradas ou com o estágio de desenvolvimento da criança. A fisiopatologia das lesões por abuso envolve mecanismos de trauma não acidental. Fraturas de canto metafisário (ou 'fraturas em alça de balde') são patognomônicas de trauma por tração ou torção, comuns na síndrome do bebê sacudido. Fraturas de arcos costais posteriores resultam de compressão torácica violenta. Lesões cutâneas como queimaduras puntiformes, equimoses em padrões incomuns ou em áreas protegidas (tronco, nádegas) também são sinais de alerta. A discrepância entre a história (ex: 'queda da própria altura' em um lactente com fraturas graves) e os achados clínicos ou radiológicos é um forte indicador de abuso. Diante da suspeita de maus tratos, a conduta médica deve priorizar a segurança da criança. Isso geralmente implica na internação hospitalar para observação, documentação detalhada das lesões (fotografias, radiografias de esqueleto completo, exames laboratoriais) e avaliação por equipe multidisciplinar. É imperativa a notificação às autoridades competentes (Conselho Tutelar, polícia) para que as medidas legais e sociais de proteção sejam tomadas. O diagnóstico diferencial com condições como osteogênese imperfeita deve ser considerado, mas as características das fraturas e a presença de múltiplas lesões em diferentes estágios de cicatrização geralmente apontam para abuso.
Fraturas de canto metafisário (bucket-handle fractures), fraturas de arcos costais posteriores, fraturas de esterno, escápula, vértebras e múltiplas fraturas em diferentes estágios de cicatrização são altamente sugestivas de abuso infantil.
Lactentes de 7 meses não têm a capacidade de gerar força suficiente em uma 'queda da própria altura' para causar fraturas complexas como as de canto metafisário ou de arcos costais posteriores. Essas lesões geralmente resultam de forças rotacionais ou compressivas significativas, típicas de abuso.
A conduta inicial é garantir a segurança da criança, o que frequentemente envolve internação hospitalar para proteção e investigação. É mandatório notificar o Conselho Tutelar e as autoridades policiais, além de realizar uma avaliação médica completa para documentar todas as lesões.
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