Suspeita de Maus-Tratos em Lactentes: Manejo Clínico

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Você está atendendo um lactente, sexo feminino, com seis meses de idade, em uma Unidade Básica de Saúde, acompanhado pelos seus pais que se queixam de choro, irritabilidade e hematomas em nádegas e em membros inferiores. Quando se pergunta o motivo do aparecimento dos hematomas, a mãe refere que a criança subiu no sofá e caiu sentado no chão de madeira, batendo suas pernas na mesa de centro da sala. A mãe refere que não estava próxima e não conseguiu impedir a queda. Das seguintes afirmativas, assinale aquela é correta para o adequado manejo desse caso.

Alternativas

  1. A) Deve-se orientar os pais sobre a colocação de um tapete no chão e protetores nos cantos dos móveis que atenuariam os ferimentos desse acidente.
  2. B) Deve-se orientar que os pais devem realizar vigilância constante e próxima de crianças nessa idade.
  3. C) O médico deve solicitar coleta de hemograma completo com plaquetas e coagulograma antes de dar alta para a criança.
  4. D) O médico deve internar a criança e acionar o sistema de comunicação de possível prática de maus-tratos contra a criança.
  5. E) O médico deve descartar a possibilidade de púrpura de Henöch-Schönlein solicitando uma prova de atividade inflamatória e avaliando a possibilidade de dor abdominal.

Pérola Clínica

Hematomas em lactente < 1 ano, especialmente em locais atípicos ou com história inconsistente, sugerem maus-tratos.

Resumo-Chave

Hematomas em um lactente de 6 meses, especialmente em nádegas e membros inferiores, com uma história de queda que não é compatível com a idade e o desenvolvimento motor da criança, levantam forte suspeita de maus-tratos. A conduta correta é proteger a criança e notificar as autoridades.

Contexto Educacional

A suspeita de maus-tratos infantis é uma situação complexa e desafiadora na prática pediátrica, exigindo do profissional de saúde um alto grau de atenção e responsabilidade. No caso de um lactente de 6 meses com choro, irritabilidade e hematomas em nádegas e membros inferiores, a história de 'subir no sofá e cair' é altamente inconsistente com o desenvolvimento motor esperado para essa idade. Lactentes de 6 meses não possuem a capacidade de escalar móveis, e quedas acidentais raramente resultam em hematomas nessas localizações e com essa gravidade. Lesões em locais atípicos, múltiplas lesões, lesões com padrões específicos ou histórias inconsistentes são fortes indicadores de abuso físico ou negligência. Nesses casos, a prioridade máxima é a proteção da criança. O médico tem o dever ético e legal de intervir. A conduta adequada envolve a internação da criança para garantir sua segurança e permitir uma avaliação completa, além de acionar imediatamente o sistema de comunicação de possível prática de maus-tratos (como o Conselho Tutelar ou órgãos de proteção à criança). Descartar outras causas de hematomas (como coagulopatias) é importante, mas não deve atrasar as medidas de proteção. A negligência ou o abuso infantil são emergências sociais e médicas que exigem ação imediata e coordenada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para suspeita de maus-tratos em lactentes?

Sinais de alerta incluem lesões em locais atípicos (nádegas, tronco, orelhas, face), múltiplas lesões em diferentes estágios de cicatrização, lesões com padrões específicos (mordidas, marcas de cinto) e histórias inconsistentes ou incompatíveis com o desenvolvimento da criança.

Por que a história de 'criança subiu no sofá e caiu' é suspeita para um lactente de 6 meses?

Um lactente de 6 meses não possui desenvolvimento motor para subir em um sofá. Essa história é inconsistente com a idade e sugere que a lesão pode ter outra origem, levantando forte suspeita de maus-tratos.

Qual a conduta médica inicial diante de uma forte suspeita de maus-tratos?

A conduta inicial é proteger a criança, o que pode incluir internação hospitalar para avaliação e segurança, e acionar imediatamente o sistema de comunicação de possível prática de maus-tratos (Conselho Tutelar, Varas da Infância e Juventude).

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