Suspeita de Maus-Tratos Infantis: Sinais e Notificação

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Lactente de 7 meses com história de queda do berço ao tentar pulá-lo, dá entrada no pronto-atendimento. Apresenta hematomas em tronco e membro superior direito, além de fratura em metáfise proximal de tíbia direita. A conduta indicada, além do tratamento das lesões deve ser:

Alternativas

  1. A) Alertar a mãe para que fique mais atenta contra possíveis acidentes.
  2. B) Notificar ao suspeitar de maus-tratos.
  3. C) Orientar a mãe para que aumente a grade do berço.
  4. D) Denunciar a mãe à autoridade policial.

Pérola Clínica

Lactente <1 ano com fratura metáfise + hematomas em tronco/MS → alta suspeita de maus-tratos = notificação obrigatória.

Resumo-Chave

Fraturas em metáfises de ossos longos (especialmente em lactentes que não deambulam) e hematomas em tronco ou áreas protegidas são altamente sugestivos de lesões não acidentais (maus-tratos). Nesses casos, a notificação às autoridades competentes é uma conduta médica obrigatória e essencial para a proteção da criança.

Contexto Educacional

A suspeita de maus-tratos infantis é um desafio complexo na prática pediátrica, exigindo alta sensibilidade e conhecimento por parte do profissional de saúde. Lesões em crianças pequenas, especialmente lactentes (como o caso de 7 meses), que não possuem autonomia para se locomover ou se proteger, devem ser avaliadas com extremo cuidado. A "queda do berço" é uma explicação comum, mas a presença de múltiplos hematomas em tronco e uma fratura metafisária de tíbia são achados altamente atípicos para uma queda de baixa energia. Fraturas metafisárias são classicamente associadas a lesões por tração ou torção, comuns em casos de maus-tratos ("shaking injury" ou "corner fracture"). Hematomas em tronco, orelhas ou áreas não proeminentes também são mais sugestivos de lesões não acidentais do que em áreas de proeminência óssea (como testa ou joelhos) que seriam esperadas em quedas. A inconsistência entre a história relatada e o padrão das lesões é um forte indicativo de maus-tratos. Diante da suspeita de maus-tratos, a conduta médica vai além do tratamento das lesões físicas. É imperativo que o profissional de saúde realize a notificação compulsória às autoridades competentes (Conselho Tutelar, Varas da Infância e Juventude), conforme previsto em lei. Esta notificação visa proteger a criança de futuras violências e garantir que ela receba o suporte necessário. A denúncia à autoridade policial pode ser uma etapa posterior, mas a notificação é a primeira e mais imediata ação protetiva.

Perguntas Frequentes

Quais tipos de lesões em lactentes levantam forte suspeita de maus-tratos?

Fraturas em metáfises de ossos longos (especialmente em bebês não deambuladores), fraturas de costelas, fraturas complexas ou múltiplas, hematomas em tronco, orelhas ou áreas não proeminentes, e queimaduras com padrões incomuns são altamente suspeitas.

Qual a conduta médica obrigatória diante da suspeita de maus-tratos infantis?

A conduta obrigatória é a notificação às autoridades competentes (Conselho Tutelar, Varas da Infância e Juventude, Polícia), além de garantir a segurança e o tratamento adequado da criança.

Por que é importante diferenciar lesões acidentais de não acidentais em crianças?

A diferenciação é crucial porque lesões não acidentais indicam violência e risco contínuo para a criança, exigindo intervenção protetiva. A falha em reconhecer e agir pode resultar em lesões mais graves ou fatais.

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