Identificação de Maus-Tratos Infantis: Sinais Clínicos

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

Leia o texto a seguir: Segundo o documento "Panorama da violência letal e sexual contra crianças e adolescentes no Brasil (2021-2023), 2ª edição, 2024", as mortes violentas contra crianças de até 9 anos cresceram no país: foram 520 vítimas de violência letal nesses três anos. O aumento foi mais sensível entre aqueles de até 4 anos, o que acende um alerta sobre os riscos a que estão submetidas as crianças na fase inicial de vida. Considerando o contexto apresentado, na abordagem de suspeita de violência contra crianças, deve ser observado que:

Alternativas

  1. A) As fraturas espiraladas em diáfises em úmero e fémur, em crianças que ainda não andam, decorrentes de torção e rotação forçada da extremidade sugerem maus-tratos, mesmo se isoladas.
  2. B) O mais importante diagnóstico diferencial de fraturas na infância deve ser realizado com a osteogênese imperfeita, cuja apresentação típica inclui fraturas de costela e fraturas múltiplas em vários estágios de cura.
  3. C) A combinação de hemorragia retiniana e subdural em um lactente indica o diagnóstico provável de doença hemorrágica, portanto, uma vez que os cuidadores neguem história de trauma, a criança deve ser encaminhada para avaliação do hematologista.
  4. D) A investigação e a identificação do(a) agressor(a) são processos demorados, portanto a notificação deve ser postergada aguardando evidências conclusivas para evitar falsas denúncias e a possibilidade de revitimização.

Pérola Clínica

Fratura de ossos longos em crianças que não deambulam → Alta suspeita de maus-tratos.

Resumo-Chave

Lesões ósseas sem explicação mecânica plausível ou incompatíveis com o desenvolvimento motor da criança são marcadores críticos de violência física.

Contexto Educacional

A violência contra crianças é um problema de saúde pública crescente no Brasil. O médico pediatra ou emergencista desempenha papel fundamental na detecção precoce. Fraturas espiraladas em diáfises de úmero ou fêmur resultam de forças de torção, o que é raríssimo em acidentes domésticos comuns de crianças que ainda não andam. Embora a osteogênese imperfeita seja um diagnóstico diferencial, ela é rara e geralmente apresenta outros sinais como escleras azuladas e história familiar. Na prática, a combinação de lesões em diferentes estágios de cura e histórias clínicas inconsistentes com a lesão observada deve sempre ligar o alerta para abuso físico. A notificação deve ser imediata após a suspeita, visando interromper o ciclo de violência.

Perguntas Frequentes

Quais fraturas são mais sugestivas de maus-tratos?

As fraturas de alta especificidade para abuso incluem fraturas metafisárias em 'alça de balde' ou 'em lasca' (corner fractures), fraturas de costelas (especialmente posteriores), fraturas de escápula, processo espinhoso e fraturas de ossos longos (como fêmur e úmero) em crianças que ainda não caminham. Fraturas em diferentes estágios de consolidação sem história de doença metabólica também são altamente suspeitas.

O que caracteriza a Síndrome do Bebê Sacudido?

Também conhecida como Trauma Craniano Não Acidental, caracteriza-se pela tríade de hemorragia subdural, edema cerebral e hemorragias retinianas. Ocorre devido à aceleração e desaceleração brusca da cabeça do lactente quando sacudido, causando ruptura de veias em ponte. A ausência de trauma externo visível não exclui o diagnóstico.

Como deve ser feita a notificação em caso de suspeita?

A notificação de suspeita de maus-tratos é obrigatória e deve ser feita ao Conselho Tutelar da localidade ou, na sua falta, à autoridade judiciária. Trata-se de uma notificação administrativa e não de uma denúncia policial (embora a autoridade policial também possa ser acionada). O objetivo é a proteção da criança e não a investigação criminal direta pelo médico.

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