PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Leia o texto a seguir. Segundo o documento "Panorama da violência letal e sexual contra crianças e adolescentes no Brasil (2021-2023), 2ª edição, 2024", as mortes violentas contra crianças de até 9 anos cresceram no país: foram 520 vítimas de violência letal nesses três anos. O aumento foi mais sensível entre aqueles de até 4 anos, o que acende um alerta sobre os riscos a que estão submetidas as crianças na fase inicial de vida. Considerando o contexto apresentado, na abordagem de suspeita de violência contra crianças, deve ser observado que:
Fraturas espiraladas em diáfises de úmero/fêmur em crianças não deambuladoras → Alta suspeita de maus-tratos, mesmo isoladas.
Fraturas espiraladas em ossos longos (úmero, fêmur) em crianças que ainda não andam são altamente sugestivas de violência, pois resultam de forças de torção e rotação que são incomuns em acidentes domésticos típicos para essa faixa etária. A suspeita deve ser alta, mesmo que seja a única lesão.
A violência contra crianças é um problema de saúde pública grave, com consequências devastadoras para o desenvolvimento físico e psicossocial. O reconhecimento precoce de sinais de maus-tratos é uma responsabilidade crucial de todos os profissionais de saúde, especialmente pediatras e médicos de emergência. Fraturas em crianças, particularmente aquelas em faixas etárias específicas ou com características atípicas, devem sempre levantar a suspeita de violência. As fraturas espiraladas em diáfises de ossos longos, como úmero e fêmur, em crianças que ainda não deambulam, são classicamente associadas a maus-tratos. Essas fraturas resultam de forças de torção e rotação forçada da extremidade, mecanismos que são improváveis de ocorrer em acidentes domésticos comuns para bebês e lactentes. Mesmo que seja a única lesão aparente, a presença de uma fratura com essas características deve levar a uma investigação aprofundada e à notificação. É fundamental que o profissional de saúde esteja atento aos padrões de lesões que sugerem violência, como fraturas de costelas (especialmente posteriores), fraturas metafisárias, fraturas em múltiplos estágios de cura e a tríade da Síndrome do Bebê Sacudido (hemorragia subdural, hemorragia retiniana e encefalopatia). O diagnóstico diferencial com condições como osteogênese imperfeita é importante, mas esta geralmente apresenta outras características clínicas e radiológicas. A notificação compulsória é um passo essencial para a proteção da criança e não deve ser postergada aguardando "evidências conclusivas", pois a suspeita já é suficiente para acionar os órgãos de proteção.
Fraturas espiraladas em diáfises de ossos longos, fraturas de costelas (especialmente posteriores), fraturas metafisárias (corner fractures), fraturas em múltiplos estágios de cura e fraturas em crianças não deambuladoras são altamente suspeitas.
Caracteriza-se pela tríade de hemorragia subdural, hemorragia retiniana e encefalopatia, frequentemente sem sinais externos de trauma, resultante de aceleração e desaceleração violentas da cabeça.
O médico tem o dever ético e legal de notificar casos suspeitos de violência infantil às autoridades competentes, independentemente da confirmação, para proteger a criança e iniciar a investigação.
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