HPP - Hospital Infantil Pequeno Príncipe (PR) — Prova 2024
Escolar de nove anos apresenta quadro de dor abdominal hoje, refere emagrecimento há oito meses. A mãe refere episódios ocasionais de diarreia neste período acompanhada de mudança de comportamento apresentando-se arredia e com medo de ficar sozinha. Exame físico: Criança chorosa e emagrecido; descorado ++/4; abdome globoso, hipertimpânico e difusamente doloroso à palpação profunda; presença de abcesso perianal. A hipótese diagnóstica é:
Criança com emagrecimento, dor abdominal crônica, mudança comportamental (arredia/medo) + abscesso perianal → forte suspeita de maus-tratos/negligência.
A presença de múltiplos sinais inespecíficos como emagrecimento, dor abdominal crônica e alterações comportamentais, somados a achados físicos como abscesso perianal em uma criança, deve levantar alta suspeita de maus-tratos ou negligência. O abscesso perianal pode ser uma complicação de higiene precária, desnutrição ou mesmo trauma.
A suspeita de maus-tratos e negligência infantil é um dos desafios mais complexos e delicados na prática pediátrica, exigindo alta sensibilidade e um olhar abrangente para o contexto da criança. Os maus-tratos englobam abuso físico, sexual, emocional e negligência, e suas manifestações podem ser sutis e inespecíficas, tornando o diagnóstico um processo multifacetado que vai além da busca por uma doença orgânica. O quadro clínico de emagrecimento, dor abdominal crônica, diarreia e, especialmente, a mudança de comportamento (como a criança se tornar arredia e com medo de ficar sozinha) são fortes indicadores de sofrimento psicossocial. A presença de um abscesso perianal, embora possa ter causas orgânicas, em um contexto de negligência ou abuso, pode ser um sinal de higiene inadequada, infecção secundária à desnutrição ou, em casos mais graves, trauma direto na região. A abordagem diagnóstica deve incluir uma anamnese detalhada, exame físico minucioso e, crucialmente, a avaliação do ambiente psicossocial da criança. É fundamental que o profissional de saúde esteja atento a padrões de lesões, inconsistências na história, atrasos no desenvolvimento e sinais de sofrimento emocional. A notificação aos órgãos competentes é uma obrigação legal e ética, visando a proteção e o bem-estar da criança.
Sinais comportamentais incluem mudanças súbitas de comportamento (tornar-se arredia, agressiva ou excessivamente passiva), medo de ficar sozinha ou de adultos específicos, regressão no desenvolvimento, ansiedade, depressão, isolamento social e dificuldades escolares.
Um abscesso perianal em crianças pode ser um sinal de negligência grave, devido à higiene precária que favorece infecções, ou pode ser resultado de trauma físico na região perianal, que pode indicar abuso físico ou sexual. A investigação é crucial.
Ao suspeitar de maus-tratos infantis, o profissional de saúde deve documentar cuidadosamente todos os achados, garantir a segurança imediata da criança, e notificar os órgãos de proteção à criança (Conselho Tutelar, Varas da Infância e Juventude) e a polícia, conforme a legislação vigente.
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