SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Um médico de família vem acompanhando em sua cidade, na região urbana, uma paciente de 64 anos de idade, diagnosticada com diabetes tipo 2 há 8 anos. Tem 1,58 metros de altura, atualmente encontra-se com 70,0kg e tem a circunferência da cintura de 77,0cm. A pressão arterial mensurada na última consulta foi 130x80mmHg. Seus resultados mais recentes incluem uma hemoglobina glicada de 9,8% e um nível de creatinina sérica de 1,1mg/dL, com uma taxa de filtração glomerular (TFG) calculada de 55ml/min/1,73m². A paciente relata que já tentou várias mudanças no estilo de vida e de medicamentos orais, mas ainda não conseguiu controlar seus níveis de glicose de forma eficaz.O agente comunitário de saúde vem monitorando junto com a família, em domicilio, o uso das medicações que incluem 84 unidades de insulina, com o seguinte esquema: 42U de Neutral Protamine Hagedorn (NPH) e 10U de Insulina Regular antes do café da manhã e 22U de NPH com 10U de Insulina Regular antes do jantar. O uso tem sido adequado, a paciente nega episódios de hipoglicemia e relata, ainda, o uso de Losartana potássica, 50mg duas vezes ao dia.A cidade da paciente, apesar de ser de pequeno porte, tem hospital regional e policlínica, mas não tem endocrinologista.Indique a estratégia que pode ser considerada como alternativa para o acompanhamento da paciente, considerando que a cidade mais próxima com especialista dista 460km.
HbA1c elevada + insulinoterapia complexa + isolamento geográfico → Telemedicina/Matriciamento.
Em cenários de escassez de especialistas, o matriciamento e a teleconsultoria permitem que a Atenção Primária gerencie casos complexos de DM2 com suporte especializado remoto.
O manejo de doenças crônicas não transmissíveis, como o Diabetes Mellitus tipo 2, exige uma rede de atenção à saúde integrada. Em municípios de pequeno porte e distantes de centros de referência, a barreira geográfica impacta diretamente no desfecho clínico. O uso de tecnologias de informação e comunicação (TICs) surge como uma estratégia fundamental para a equidade no SUS. O matriciamento não é apenas uma consultoria, mas uma construção compartilhada de saber que capacita a equipe local. No caso apresentado, a paciente já utiliza doses elevadas de insulina sem sucesso, o que sugere a necessidade de revisão da terapêutica ou investigação de barreiras de adesão, processos que podem ser guiados por um endocrinologista via telessaúde, mantendo o vínculo da paciente com sua equipe de saúde da família.
O matriciamento é um arranjo organizacional que visa oferecer suporte técnico-pedagógico a equipes de referência (como a Estratégia Saúde da Família) por meio de especialistas. No Diabetes, isso permite que o endocrinologista discuta casos complexos com o médico de família, ajustando condutas como a insulinoterapia sem a necessidade de deslocamento físico do paciente, otimizando o cuidado na própria comunidade.
A telemedicina é indicada especialmente em áreas remotas ou com carência de especialistas focais. Ela pode ser utilizada para teleconsultas diretas com o paciente ou para teleconsultoria entre profissionais de saúde. É ideal para ajuste de doses de insulina, revisão de metas glicêmicas e educação em saúde, desde que haja suporte local para exames físicos e laboratoriais necessários.
A otimização envolve a revisão da técnica de aplicação, adesão ao tratamento e ajuste das doses de insulina basal e rápida. Em casos com HbA1c > 9%, como o da paciente, pode ser necessário o uso de esquemas basal-bolus. O suporte de especialistas via telessaúde ajuda a titular as doses com segurança, monitorando riscos de hipoglicemia e complicações microvasculares.
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