Mastoidite Aguda em Crianças: Diagnóstico e Manejo

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, 2 anos e 9 meses de idade, sem comorbidades prévias, está com tosse e coriza há 7 dias. Há 5 dias iniciou com febre de até 38,8ºC e otalgia à esquerda. Procurou um serviço médico há dois dias, sendo feito diagnóstico de otite média aguda à esquerda, com orientação de uso de azitromicina por 5 dias. Está no segundo dia de tratamento, mantendo febre. Ao exame clínico, destacam-se as imagens abaixo. Qual é a conduta indicada?

Alternativas

  1. A) Iniciar tratamento com ceftriaxona e clindamicina endovenosas e solicitar tomografia de mastoide e crânio.
  2. B) Manter tratamento atual e considerar escalonar antibiótico se febre persistir além de 72 horas.
  3. C) Trocar antibioticoterapia para amoxicilina com clavulanato oral e reavaliar em 48 a 72 horas.
  4. D) Iniciar oxacilina endovenosa e realizar a drenagem percutânea da região retroauricular esquerda. 

Pérola Clínica

OMA com sinais retroauriculares (edema, eritema, proeminência) + febre persistente → Mastoidite aguda: ATB IV + TC.

Resumo-Chave

A persistência de febre e o surgimento de sinais retroauriculares (edema, eritema, proeminência da orelha) em um paciente com OMA em tratamento sugerem mastoidite aguda, uma complicação grave que requer internação, antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro e investigação por imagem.

Contexto Educacional

A mastoidite aguda é uma complicação séria da otite média aguda (OMA), caracterizada pela inflamação e infecção das células aéreas da mastoide. Embora sua incidência tenha diminuído com o uso de antibióticos, ainda é uma emergência pediátrica que requer reconhecimento e tratamento rápidos para prevenir sequelas graves. É mais comum em crianças pequenas, e a falha terapêutica de uma OMA com persistência de sintomas e sinais locais deve levantar a suspeita. A fisiopatologia envolve a propagação da infecção do ouvido médio para as células mastoideas, levando à osteíte e, potencialmente, à formação de abscesso subperiosteal ou intraparenquimatoso. Os principais patógenos são os mesmos da OMA: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Streptococcus pyogenes. O diagnóstico é clínico, com febre, otalgia, dor e edema retroauricular, e proeminência da orelha. A tomografia computadorizada de mastoide e crânio é o exame de imagem de escolha para confirmar o diagnóstico, avaliar a extensão da doença e identificar complicações intracranianas. O tratamento da mastoidite aguda é uma emergência médica e geralmente requer internação hospitalar. A antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro é a base do tratamento, com cobertura para os patógenos mais comuns e, se houver suspeita de resistência ou falha inicial, pode-se usar combinações como ceftriaxona e clindamicina. Em casos de abscesso subperiosteal ou falha do tratamento clínico, a mastoidectomia ou drenagem cirúrgica pode ser necessária. O prognóstico é geralmente bom com tratamento precoce e adequado, mas complicações como abscesso cerebral ou trombose de seio sigmoide podem ocorrer.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de mastoidite aguda em crianças?

Os sinais incluem febre persistente, otalgia, dor e edema na região retroauricular, eritema, proeminência da orelha e, em casos mais avançados, flutuação ou abscesso subperiosteal.

Qual a conduta inicial para suspeita de mastoidite aguda?

A conduta inicial envolve internação hospitalar, início de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro (ex: ceftriaxona + clindamicina) e solicitação de tomografia computadorizada de mastoide e crânio.

Por que a azitromicina pode não ser eficaz na mastoidite?

A azitromicina tem espectro limitado e concentrações teciduais variáveis, podendo não ser suficiente para erradicar infecções profundas como a mastoidite, especialmente se causada por patógenos resistentes ou com formação de abscesso.

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