INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma criança de 1 ano e 3 meses é trazida pela mãe à unidade básica de saúde. A mãe refere que a criança vem apresentando febre há 48 horas, que varia entre 38,5 e 39 °C, associada à prostração, à inapetência, à sonolência e a um episódio de vômito na madrugada anterior. Ao exame físico, a criança se encontra em regular estado geral, corada, desidratada +/4+, acianótica, anictérica, eupneica e sonolenta. À otoscopia, nota-se opacificação da membrana timpânica à direita, que está abaulada, sem saída de secreção, associada a alteração da região retroauricular, apresentando hiperemia e dor. Restante do exame físico sem alterações. Por estar em período de epidemia de dengue, o médico de família e comunidade solicita a prova do laço, a qual não identifica nenhuma petéquia. Nesse caso, a conduta médica deve ser
Lactente com OMA + dor/hiperemia retroauricular + prostração/desidratação → Mastoidite Aguda = Internação + Ceftriaxone IV.
A presença de dor e hiperemia retroauricular em um lactente com otite média aguda e comprometimento do estado geral (prostração, desidratação) sugere mastoidite aguda, uma complicação grave que exige internação e antibioticoterapia intravenosa imediata, geralmente com ceftriaxone. A prova do laço negativa ajuda a afastar dengue, mas não deve atrasar o manejo da complicação otológica.
A mastoidite aguda é uma complicação séria da otite média aguda (OMA), mais comum em crianças pequenas devido à imaturidade anatômica da mastoide. Sua importância clínica reside no risco de disseminação da infecção para estruturas intracranianas, como meningite ou abscesso cerebral, tornando o diagnóstico e tratamento precoces cruciais. A epidemiologia mostra que, embora a incidência tenha diminuído com o uso de vacinas e antibióticos, ainda é uma condição relevante na prática pediátrica. A fisiopatologia envolve a progressão da infecção bacteriana da orelha média para as células aéreas da mastoide, causando osteíte e acúmulo de pus. A suspeita deve surgir em lactentes com OMA que apresentam febre persistente, dor e edema retroauricular, prostração, irritabilidade ou sinais de toxicidade. O exame físico detalhado, incluindo otoscopia e palpação da mastoide, é fundamental. Exames complementares como hemograma e PCR auxiliam na avaliação da gravidade, e a tomografia computadorizada pode confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da doença. O tratamento da mastoidite aguda é primariamente clínico, com antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, como ceftriaxone, por um período prolongado. Em casos de falha terapêutica ou complicações, a intervenção cirúrgica (miringotomia com ou sem inserção de tubo de ventilação, ou mastoidectomia) pode ser necessária. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas atrasos podem levar a sequelas auditivas ou neurológicas, reforçando a necessidade de um manejo ágil e eficaz por residentes.
A mastoidite aguda em crianças manifesta-se com febre, dor retroauricular, hiperemia e abaulamento da região mastoidea. Pode haver também prostração, irritabilidade e secreção otológica, além de sinais de otite média aguda.
A conduta inicial para suspeita de mastoidite em lactentes inclui internação hospitalar, coleta de exames laboratoriais e início imediato de antibioticoterapia intravenosa, sendo o ceftriaxone uma escolha comum devido à sua boa penetração óssea e espectro de ação.
A mastoidite se diferencia pela associação com otite média aguda, sinais inflamatórios localizados na mastoide (hiperemia, abaulamento, dor à palpação) e, frequentemente, comprometimento do estado geral. Outras causas podem incluir linfadenite, celulite ou cisto sebáceo infectado, que geralmente não cursam com otite média.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo