Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Puérpera 35 dias pós-parto normal vem ao pronto atendimento por febre não aferida e dor na mama direita. Ao exame, apresenta calor local e dor no quadrante inferomedial, sem ponto de flutuação. Realizada ultrassonografia, não foi constatado abscesso. Ao exame, bom estado geral, corada, hidratada. Mamas túrgidas, eritema de 5 cm de diâmetro e endurecimento local em QIM da mama direita. FC 99, SatO2 98% ar ambiente, PA 110 x 68 mmHg. Diante da situação hipotética, assinale a alternativa que descreve a melhor conduta.
Mastite puerperal com febre/taquicardia → considerar ATB IV e internação em casos selecionados, embora manter amamentação seja regra.
A presença de febre e taquicardia, mesmo que borderline, em puérpera com mastite pode indicar um quadro mais grave, justificando a internação e antibioticoterapia venosa para evitar progressão. A suspensão da amamentação, embora controversa e geralmente desaconselhada, pode ser considerada em casos específicos de gravidade ou risco de transmissão.
Mastite puerperal é uma inflamação da mama que afeta puérperas, geralmente nas primeiras semanas pós-parto, com incidência de 5-33%. É crucial reconhecer os sinais e sintomas para um manejo adequado, que varia desde medidas conservadoras até antibioticoterapia. A principal causa é a estase láctea, frequentemente complicada por infecção bacteriana, sendo o Staphylococcus aureus o agente mais comum. O diagnóstico é clínico, caracterizado por dor, calor, rubor e endurecimento mamário, frequentemente acompanhados de febre e mal-estar. A ultrassonografia é útil para descartar ou confirmar a presença de abscesso, que requer drenagem. A diferenciação entre mastite inflamatória e infecciosa é fundamental para guiar o tratamento. O tratamento inicial envolve esvaziamento mamário eficaz (manter amamentação ou ordenha), analgésicos e anti-inflamatórios. Em casos de infecção bacteriana (febre > 38.5°C, sintomas sistêmicos), antibióticos são indicados. A internação e ATB venosa são reservadas para quadros graves, com sinais de sepse, falha do tratamento oral ou imunocomprometimento. A suspensão da amamentação é geralmente desaconselhada, pois pode piorar a estase, mas pode ser considerada em situações específicas de toxicidade materna ou uso de antibióticos contraindicados.
Sinais de alerta para mastite puerperal grave incluem febre alta persistente, calafrios, mal-estar intenso, taquicardia significativa, hipotensão, sinais de sepse ou falha do tratamento oral inicial. A presença de abscesso também indica um quadro mais complexo.
A amamentação geralmente deve ser mantida na mastite para promover o esvaziamento da mama e prevenir a estase láctea. A suspensão é considerada apenas em casos de abscesso que requer drenagem, uso de antibióticos contraindicados para amamentação ou quando a dor é insuportável, mas a ordenha deve ser mantida.
A ultrassonografia mamária é fundamental na mastite puerperal para diferenciar a mastite inflamatória de um abscesso mamário. Ela permite identificar coleções líquidas que necessitam de drenagem, guiando o manejo e evitando procedimentos desnecessários.
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