Mastite Puerperal: Quando Internar e Tratar com ATB Venosa?

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Puérpera 35 dias pós-parto normal vem ao pronto atendimento por febre não aferida e dor na mama direita. Ao exame, apresenta calor local e dor no quadrante inferomedial, sem ponto de flutuação. Realizada ultrassonografia, não foi constatado abscesso. Ao exame, bom estado geral, corada, hidratada. Mamas túrgidas, eritema de 5 cm de diâmetro e endurecimento local em QIM da mama direita. FC 99, SatO2 98% ar ambiente, PA 110 x 68 mmHg. Diante da situação hipotética, assinale a alternativa que descreve a melhor conduta.

Alternativas

  1. A) Internação para antibioticoterapia venosa, pois apresentou febre e beira a taquicardia. Suspender amamentação.
  2. B) Prescrição de anti-inflamatório para redução de dor e sinais flogísticos locais, sem antibiótico, pois não há abscesso. Manter amamentação.
  3. C) Prescrição de sintomático (analgésico, anti-inflamatório) e antibiótico Ciprofloxacino, pois o principal agente é S. aureus, suspender a amamentação.
  4. D) Prescrição de Ciprofloxacino e analgésico/anti-inflamatório, pois o principal agente é pool de anaeróbios e gram negativos, suspender a amamentação.
  5. E) Prescrição de Cefadroxila ou Clindamicina, pois o principal agente é S. aureus, analgésico/anti-inflamatório, manter amamentação.

Pérola Clínica

Mastite puerperal com febre/taquicardia → considerar ATB IV e internação em casos selecionados, embora manter amamentação seja regra.

Resumo-Chave

A presença de febre e taquicardia, mesmo que borderline, em puérpera com mastite pode indicar um quadro mais grave, justificando a internação e antibioticoterapia venosa para evitar progressão. A suspensão da amamentação, embora controversa e geralmente desaconselhada, pode ser considerada em casos específicos de gravidade ou risco de transmissão.

Contexto Educacional

Mastite puerperal é uma inflamação da mama que afeta puérperas, geralmente nas primeiras semanas pós-parto, com incidência de 5-33%. É crucial reconhecer os sinais e sintomas para um manejo adequado, que varia desde medidas conservadoras até antibioticoterapia. A principal causa é a estase láctea, frequentemente complicada por infecção bacteriana, sendo o Staphylococcus aureus o agente mais comum. O diagnóstico é clínico, caracterizado por dor, calor, rubor e endurecimento mamário, frequentemente acompanhados de febre e mal-estar. A ultrassonografia é útil para descartar ou confirmar a presença de abscesso, que requer drenagem. A diferenciação entre mastite inflamatória e infecciosa é fundamental para guiar o tratamento. O tratamento inicial envolve esvaziamento mamário eficaz (manter amamentação ou ordenha), analgésicos e anti-inflamatórios. Em casos de infecção bacteriana (febre > 38.5°C, sintomas sistêmicos), antibióticos são indicados. A internação e ATB venosa são reservadas para quadros graves, com sinais de sepse, falha do tratamento oral ou imunocomprometimento. A suspensão da amamentação é geralmente desaconselhada, pois pode piorar a estase, mas pode ser considerada em situações específicas de toxicidade materna ou uso de antibióticos contraindicados.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para mastite puerperal grave?

Sinais de alerta para mastite puerperal grave incluem febre alta persistente, calafrios, mal-estar intenso, taquicardia significativa, hipotensão, sinais de sepse ou falha do tratamento oral inicial. A presença de abscesso também indica um quadro mais complexo.

Quando a amamentação deve ser suspensa em casos de mastite?

A amamentação geralmente deve ser mantida na mastite para promover o esvaziamento da mama e prevenir a estase láctea. A suspensão é considerada apenas em casos de abscesso que requer drenagem, uso de antibióticos contraindicados para amamentação ou quando a dor é insuportável, mas a ordenha deve ser mantida.

Qual o papel da ultrassonografia na mastite puerperal?

A ultrassonografia mamária é fundamental na mastite puerperal para diferenciar a mastite inflamatória de um abscesso mamário. Ela permite identificar coleções líquidas que necessitam de drenagem, guiando o manejo e evitando procedimentos desnecessários.

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