Mastite Puerperal: Diagnóstico e Conduta Clínica

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Puérpera de 5 dias, primigesta, procura atendimento com queixa de dor intensa na mama direita, associada a área endurecida, quente e avermelhada no quadrante superior externo. Refere febre de 38,5°C e calafrios nas últimas 24 horas. Relata dificuldade para amamentar, mas sem interrupção do aleitamento. Ao exame: região dolorosa e eritematosa de 6 cm, sem flutuação. Mamas com sinais de ingurgitamento bilateral leve. Com base no caso apresentado, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico é mastite puerperal; o aleitamento deve ser mantido e está indicado uso de antibiótico por via oral.
  2. B) O diagnóstico mais provável é abscesso mamário; a conduta é drenagem cirúrgica e antibioticoterapia endovenosa.
  3. C) A suspeita de ducto lactífero obstruído é mais provável, sendo suficiente orientar compressas frias e repouso mamário.
  4. D) O quadro é compatível com mastite puerperal; deve-se suspender o aleitamento na mama acometida até completa resolução.
  5. E) Trata-se de ingurgitamento mamário complicado; a conduta inclui analgesia e esvaziamento manual com bomba elétrica.

Pérola Clínica

Mastite puerperal = Manter amamentação + Esvaziamento mamário + Antibiótico oral.

Resumo-Chave

A mastite puerperal é uma infecção do parênquima mamário. O pilar do tratamento é o esvaziamento eficaz da mama (preferencialmente pela sucção do bebê) associado à antibioticoterapia que cubra S. aureus.

Contexto Educacional

A mastite puerperal ocorre tipicamente nas primeiras semanas de lactação, frequentemente precedida por fissuras mamilares ou ingurgitamento que servem como porta de entrada para a microbiota da pele ou da orofaringe do lactente. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado por sinais logísticos (dor, calor, rubor) localizados, associados a sintomas sistêmicos como febre e mal-estar. A fisiopatologia envolve a estase láctea, que promove um ambiente de cultura para bactérias. Por isso, a medida terapêutica mais importante é o esvaziamento mamário frequente. Compressas mornas antes da mamada podem auxiliar no reflexo de ejeção, enquanto compressas frias após a mamada ajudam no alívio da dor e edema. O suporte emocional à puérpera é crucial para evitar o desmame precoce.

Perguntas Frequentes

Pode amamentar com mastite?

Sim, a amamentação deve ser mantida e é parte fundamental do tratamento. O esvaziamento da mama reduz a carga bacteriana e a inflamação causada pela estase láctea. O leite da mama com mastite não é prejudicial ao recém-nascido saudável, pois os componentes imunológicos e a acidez gástrica do bebê lidam com a situação. A suspensão do aleitamento é um erro comum que predispõe à formação de abscessos.

Qual o antibiótico de escolha para mastite puerperal?

O agente etiológico mais comum é o Staphylococcus aureus. Portanto, utilizam-se antibióticos penicilinase-resistentes ou cefalosporinas de primeira geração. As opções usuais incluem Cefalexina (500mg a cada 6 horas) ou Dicloxacilina por 7 a 10 dias. Em casos de suspeita de MRSA ou alergias, outras opções como Clindamicina podem ser consideradas, sempre avaliando a segurança na lactação.

Quando suspeitar de abscesso mamário?

Deve-se suspeitar de abscesso quando houver persistência da febre e dos sintomas sistêmicos após 48-72 horas de antibioticoterapia adequada, ou quando surgir uma massa palpável com sinal de flutuação ao exame físico. Nesses casos, a ultrassonografia de mamas é o exame de escolha para confirmação e a conduta passa a incluir a drenagem (por agulha ou cirúrgica).

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