INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma mãe de lactente com 14 dias de nascido chega à Emergência com queixa de febre baixa e tumoração avermelhada e dolorosa em sua mama esquerda, iniciadas há um dia. Ao exame físico o médico observou bom estado geral e mama esquerda túrgida, dolorosa, avermelhada e com pequena tumoração sem flutuação. A mãe ainda informa que nesse período o neonato está rejeitando parcialmente as mamadas. A conduta correta a ser tomada para essa paciente é:
Mastite inflamatória → Esvaziamento mamário frequente + Analgesia + Manter amamentação.
O tratamento da mastite puerperal sem flutuação (abscesso) baseia-se no esvaziamento eficaz da mama, preferencialmente pelo lactente, associado a medidas de suporte.
A mastite puerperal é uma complicação comum do ciclo gravídico-puerperal, ocorrendo geralmente nas primeiras semanas de lactação. A fisiopatologia envolve a obstrução de ductos lactíferos e a subsequente inflamação do parênquima mamário. O manejo inicial foca na remoção da causa base: a estase do leite. O esvaziamento pode ser feito pelo próprio lactente, o que é encorajado, ou por ordenha manual/mecânica se a dor for limitante. Evidências mostram que a manutenção da lactação não traz riscos ao neonato saudável e é o fator mais importante para a resolução da mastite. Medidas de suporte como repouso, hidratação e analgésicos (paracetamol ou ibuprofeno) auxiliam no controle sintomático. O uso de sutiãs de sustentação (não apertados) ajuda a reduzir o desconforto mecânico. A vigilância para a formação de abscessos é essencial durante todo o acompanhamento.
A amamentação na vigência de mastite não deve ser suspensa na maioria dos casos. O esvaziamento da mama é o pilar do tratamento, e o lactente é o método mais eficiente para isso. A suspensão só é considerada em situações extremas, como dor insuportável que impeça a ejeção láctea ou presença de pus franco no leite, embora o pus em si não seja contraindicação absoluta se o bebê aceitar. Manter a amamentação previne a progressão para abscesso mamário, pois reduz a estase láctea que serve de meio de cultura para patógenos como Staphylococcus aureus. O suporte emocional e a correção da técnica de pega são fundamentais para o sucesso do tratamento e manutenção do vínculo materno-infantil.
A principal causa é a estase láctea, frequentemente decorrente de uma técnica de amamentação inadequada, pega incorreta ou intervalos muito longos entre as mamadas. Essa estase favorece a proliferação bacteriana, sendo o Staphylococcus aureus o agente mais comum, proveniente da pele da mãe ou da nasofaringe do lactente. Fissuras mamilares servem como porta de entrada para esses microrganismos. O quadro clínico inicia-se com dor, calor e eritema localizado, podendo evoluir com sintomas sistêmicos como febre e prostração. O diagnóstico é eminentemente clínico, e o tratamento precoce com esvaziamento mamário é crucial para evitar complicações supurativas.
A antibioticoterapia está indicada quando os sintomas são graves desde o início, se houver fissuras visíveis no mamilo, ou se não houver melhora clínica após 12 a 24 horas de esvaziamento mamário eficaz. Os antibióticos de escolha devem cobrir Staphylococcus aureus, sendo a cefalexina ou dicloxacilina as opções de primeira linha por 7 a 10 dias. É fundamental reforçar que o uso de antibióticos não substitui a necessidade de esvaziamento da mama. Se houver sinais de flutuação ao exame físico, deve-se suspeitar de abscesso mamário, o que exige drenagem cirúrgica ou aspiração por agulha, além da manutenção da antibioticoterapia sistêmica.
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