Mastite Puerperal: Diagnóstico e Conduta Clínica

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013

Enunciado

Paciente primigesta, 32 anos de idade, na segunda semana pós-parto, está apresentando quadro de dor na mama esquerda, febre (temperatura axilar = 38.4°C), adinamia, calafrios, o que tem gerado grande dificuldade para amamentar nessa mama. Procurou auxílio na Unidade Básica de Saúde. A médica encontrou no exame físico: mama esquerda com hiperemia, calor e edema no quadrante superior direito, mamilos e aréolas íntegras. O diagnóstico e a conduta, respectivamente, a serem tomadas pela médica são:

Alternativas

  1. A) Candidíase mamária; indicar aplicação local de nistatina.
  2. B) Ductos lactíferos bloqueados; indicar punção da área acometida.
  3. C) Abscesso mamário; indicar drenagem cirúrgica e antibioticoterapia.
  4. D) Ingurgitamento mamário; indicar massagem circular e ordenha do excesso de leite.
  5. E) Mastite; indicar retirada manual do leite após mamadas e antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Mastite puerperal = Febre + Sinais flogísticos + Esvaziamento mamário mantido.

Resumo-Chave

A mastite puerperal é uma infecção bacteriana (geralmente S. aureus) que exige antibioticoterapia e manutenção do esvaziamento mamário para evitar a progressão para abscesso.

Contexto Educacional

A mastite puerperal ocorre tipicamente nas primeiras semanas após o parto, sendo a segunda e terceira semanas os períodos de maior incidência. A fisiopatologia envolve a estase láctea, que pode ser causada por técnica de amamentação incorreta, mamilos fissurados ou uso de sutiãs apertados, permitindo a proliferação bacteriana. O diagnóstico é eminentemente clínico, caracterizado por dor unilateral, eritema, calor e edema, frequentemente acompanhados de sintomas sistêmicos como febre alta e mal-estar geral. O manejo clínico baseia-se no binômio: antibioticoterapia e esvaziamento mamário. A manutenção da lactação é segura e necessária. É crucial diferenciar a mastite do ingurgitamento mamário (que é bilateral e sem sinais sistêmicos graves) e do abscesso mamário (que apresenta área de flutuação ao exame físico). O tratamento inadequado ou o atraso no início dos antibióticos são os principais fatores de risco para a evolução para abscesso, que ocorre em cerca de 5 a 10% dos casos de mastite.

Perguntas Frequentes

Qual o principal agente etiológico da mastite puerperal?

O Staphylococcus aureus é o agente mais frequentemente isolado na mastite puerperal, originando-se geralmente da nasofaringe do lactente ou da flora cutânea da mãe. Outros agentes menos comuns incluem Streptococcus pyogenes e Escherichia coli. O processo infeccioso geralmente ocorre devido à entrada da bactéria através de fissuras mamilares ou pela própria abertura dos ductos lactíferos, encontrando um meio de cultura favorável no leite estagnado. O reconhecimento precoce é fundamental para evitar complicações como a formação de abscessos, que podem exigir drenagem cirúrgica e interromper temporariamente a dinâmica da amamentação.

A amamentação deve ser suspensa durante o tratamento da mastite?

Não, a amamentação deve ser mantida e até incentivada na mama afetada. O esvaziamento mamário frequente é um pilar fundamental do tratamento, pois a estase láctea é o principal fator que perpetua a infecção e favorece a formação de abscessos. O leite de uma mama com mastite não é prejudicial ao lactente saudável, pois as bactérias presentes são destruídas pelo suco gástrico do bebê. Caso a dor seja excessiva e impeça a sucção direta, a ordenha manual ou mecânica deve ser realizada rigorosamente para garantir que a mama seja esvaziada após cada mamada ou em intervalos regulares.

Quando indicar antibioticoterapia na mastite?

A antibioticoterapia está indicada sempre que houver sinais sistêmicos (febre, calafrios, adinamia) ou quando os sintomas locais forem intensos e não melhorarem após 12 a 24 horas de medidas de esvaziamento mamário eficaz. Os antibióticos de escolha devem cobrir o Staphylococcus aureus e ser compatíveis com a amamentação. A Cefalexina (500mg a cada 6 horas por 7 a 10 dias) é frequentemente utilizada como primeira linha. Em casos de suspeita de MRSA ou alergia a betalactâmicos, a Clindamicina pode ser uma alternativa. O tratamento deve ser acompanhado de suporte analgésico e anti-inflamatório para facilitar a ejeção do leite.

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