Mastite Periductal Recorrente: Manejo e Prevenção

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 36a, G3P3, procura a Unidade Básica de Saúde para orientação por quadro de drenagem espontânea de secreção mucopurulenta periareolar, por três vezes nos últimos dois anos. No momento está assintomática. Em dois episódios anteriores utilizou ampicilina, no último apresentou drenagem espontânea e cura. Antecedentes pessoais: tabagismo=15anos/maço, uso de anticoncepcional oral combinado. Exame físico: mama acometida (Imagem Q86) e mama contralateral sem alterações.A CONDUTA PARA EVITAR NOVAS RECIDIVAS É:

Alternativas

Pérola Clínica

Drenagem periareolar mucopurulenta recorrente + tabagismo → Mastite periductal/Ectasia ductal. Conduta = Cessação tabágica + excisão cirúrgica do ducto afetado.

Resumo-Chave

A drenagem periareolar mucopurulenta recorrente, especialmente em mulheres tabagistas, é altamente sugestiva de mastite periductal ou ectasia ductal. A cessação do tabagismo é fundamental para reduzir as recidivas, e a excisão cirúrgica do ducto afetado (microduto ou ductos subareolares) é a conduta definitiva para evitar novas recorrências.

Contexto Educacional

A mastite periductal e a ectasia ductal são condições benignas da mama que frequentemente se manifestam com drenagem periareolar, dor e, em casos de infecção, secreção mucopurulenta. Embora benignas, podem ser bastante incômodas e ter um impacto significativo na qualidade de vida da paciente devido à recorrência. A condição é mais comum em mulheres de meia-idade, mas pode ocorrer em qualquer idade, e o tabagismo é o fator de risco mais fortemente associado, sendo crucial na fisiopatologia. A fisiopatologia envolve a dilatação dos ductos mamários subareolares (ectasia) e a inflamação crônica ao redor desses ductos (mastite periductal). O tabagismo é conhecido por causar metaplasia escamosa do epitélio ductal, levando à obstrução dos ductos, estase de secreções e subsequente inflamação e infecção. O diagnóstico é clínico, baseado na história de drenagem e exame físico, podendo ser complementado por ultrassonografia mamária para avaliar a dilatação ductal e excluir outras patologias. O tratamento de um episódio agudo pode incluir antibióticos, mas a conduta para evitar novas recidivas é multifacetada. A cessação do tabagismo é a intervenção mais importante e deve ser fortemente incentivada. Em casos de recorrência frequente, fístulas persistentes ou sintomas refratários, a excisão cirúrgica dos ductos afetados (ductectomia ou excisão de ductos subareolares) é a opção definitiva. Para residentes, é fundamental reconhecer a associação com o tabagismo e oferecer uma abordagem que combine tratamento agudo, modificação de estilo de vida e, quando necessário, intervenção cirúrgica para um manejo eficaz e prevenção de recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para mastite periductal e ectasia ductal?

O principal fator de risco para mastite periductal e ectasia ductal é o tabagismo. Outros fatores incluem trauma mamário, infecções bacterianas e alterações hormonais. O tabagismo é particularmente relevante por causar metaplasia escamosa dos ductos, levando à obstrução e inflamação.

Qual a conduta inicial para um episódio agudo de mastite periductal?

A conduta inicial para um episódio agudo geralmente envolve antibióticos com cobertura para anaeróbios e Staphylococcus aureus, como amoxicilina-clavulanato ou clindamicina, além de compressas mornas e analgésicos. No entanto, para evitar recorrências, é crucial abordar os fatores de risco e considerar intervenções definitivas.

Quando a cirurgia é indicada para mastite periductal recorrente?

A cirurgia, geralmente a excisão dos ductos subareolares (cirurgia de Hadfield ou modificada), é indicada para casos de mastite periductal ou ectasia ductal com drenagem recorrente, fístulas persistentes ou abscessos que não respondem ao tratamento conservador. É a medida mais eficaz para prevenir novas recidivas.

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