Mastite Periareolar: Diagnóstico e Manejo Clínico

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023

Enunciado

Paciente feminina de 45 anos, tabagista desde os 16 anos, procurou atendimento com queixa de hiperemia em mama direita há 1 semana. Ao exame clínico apresenta área de hiperemia em região periareolar da mama direita, associada a ponto de flutuação de 0,5 cm. Referiu já ter tido um caso semelhante na mama oposta há alguns meses. A hipótese diagnóstica foi de mastite periareolar. Qual a conduta a ser realizada?

Alternativas

  1. A) O tabagismo não tem relação com o quadro
  2. B) É necessário realizar mamografia diagnóstica para avaliar extensão da doença
  3. C) Tratar com antibioticoterapia por 5 a 7 dias e, se necessário, estender por 10 a 14 dias
  4. D) Quando realizada cultura da secreção, 50 a 60% destas são positivas para microrganismos potencialmente patogênicos

Contexto Educacional

A mastite periareolar, também conhecida como abscesso subareolar recorrente ou doença de Zuska, é uma forma de mastite não puerperal que afeta principalmente mulheres jovens e de meia-idade. Caracteriza-se por inflamação e infecção dos ductos mamários subareolares, frequentemente associada à ectasia ductal e, de forma proeminente, ao tabagismo. A condição é clinicamente importante devido à sua natureza recorrente e à possibilidade de formação de fístulas. A fisiopatologia envolve a metaplasia escamosa dos ductos lactíferos terminais, que pode ser induzida por toxinas do tabaco. Essa metaplasia leva à obstrução ductal, estase de secreções e subsequente infecção bacteriana, geralmente por flora cutânea mista, incluindo anaeróbios e Staphylococcus aureus. O diagnóstico é clínico, baseado na história e exame físico, que revela hiperemia, dor e, por vezes, um ponto de flutuação indicativo de abscesso. A ultrassonografia mamária pode confirmar a presença e extensão do abscesso. A conduta terapêutica inicial para a mastite periareolar é a antibioticoterapia, com duração de 7 a 14 dias, cobrindo os agentes mais comuns. Se houver formação de abscesso, a drenagem (por aspiração com agulha ou incisão e drenagem) é essencial. A cessação do tabagismo é uma medida crucial para prevenir a recorrência. Em casos de recidivas frequentes ou fístulas persistentes, pode ser necessária a excisão cirúrgica dos ductos afetados.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas da mastite periareolar?

A mastite periareolar manifesta-se com hiperemia, dor, calor e edema na região periareolar, podendo evoluir para a formação de um abscesso com flutuação. Pode haver secreção purulenta e fístulas.

Qual a conduta inicial para mastite periareolar com ponto de flutuação?

A conduta inicial inclui antibioticoterapia com cobertura para anaeróbios e Staphylococcus aureus. Se houver ponto de flutuação, a drenagem do abscesso (por aspiração ou incisão) é indicada, além da antibioticoterapia.

Qual a relação entre tabagismo e mastite periareolar?

O tabagismo é um fator de risco importante para a mastite periareolar e a ectasia ductal, pois as toxinas do cigarro podem causar metaplasia escamosa dos ductos subareolares, levando à obstrução e infecção.

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