Mastite Granulomatosa: Diagnóstico e Características Histopatológicas

UFG/HC - Hospital das Clínicas da UFG - Goiânia (GO) — Prova 2022

Enunciado

Diversas doenças podem ser acompanhadas de processo inflamatório nas mamas, destacando-se, dentre elas, a doença de Mondor, mastite diabética, sarcoidose, mastite actínica, mastite por lúpus eritematoso disseminado e mastite granulomatosa. Dentre os tipos de mastites crônicas tem-se:

Alternativas

  1. A) a mastite actínica, que se caracteriza por flebite superficial autolimitada, benigna, caracterizada por cordão doloroso, que acompanha o trajeto venoso cutâneo da mama.
  2. B) a doença de Mondor, que é decorrente de radioterapia mamária, devido a esclerose progressiva da íntima vascular. Caracteriza-se por hiperemia, dor e aumento da temperatura da mama. 
  3. C) a mastite diabética também conhecida como mastite obliterante, comedomastite ou mastite de células plasmáticas, que acomete os ductos lactíferos subareolares e caracteriza-se pela dilatação ductal com acúmulo de detritos celulares.
  4. D) a mastite granulomatosa, que é uma inflamação de causa desconhecida, caracterizada por reação granulomatosa crônica composta por células epitelióides, células gigantes multinucleadas dos tipos corpo estranho e de Langhans. 

Pérola Clínica

Mastite granulomatosa = inflamação crônica de causa desconhecida, com granulomas de células epitelióides e gigantes.

Resumo-Chave

A mastite granulomatosa idiopática é uma condição inflamatória crônica rara da mama, de etiologia desconhecida, que se caracteriza histologicamente pela presença de granulomas não caseosos, compostos por células epitelióides e células gigantes multinucleadas, sem evidência de infecção ou doença sistêmica.

Contexto Educacional

As mastites crônicas englobam um grupo heterogêneo de condições inflamatórias da mama, que podem ser desafiadoras no diagnóstico devido à sua variabilidade clínica e histopatológica. Dentre elas, a mastite granulomatosa idiopática (MGI) destaca-se por sua etiologia desconhecida e por mimetizar clinicamente o carcinoma de mama, sendo crucial o conhecimento de suas características. A fisiopatologia da MGI não é totalmente compreendida, mas acredita-se que envolva uma resposta imune anormal. O diagnóstico é feito por biópsia, que revela granulomas não caseosos, compostos por células epitelióides, histiócitos e células gigantes multinucleadas (tipos corpo estranho e Langhans), infiltrando os lóbulos mamários. Outras mastites crônicas incluem a doença de Mondor (flebite superficial), mastite diabética (associada a diabetes tipo 1), sarcoidose mamária e mastite actínica (pós-radioterapia). O tratamento da MGI geralmente envolve corticosteroides, embora a doença possa ter um curso recorrente. O diagnóstico diferencial com carcinoma de mama é imperativo, exigindo uma abordagem multidisciplinar com exames de imagem (mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética) e biópsia. O reconhecimento correto das mastites crônicas é vital para evitar tratamentos desnecessários e garantir o manejo adequado da paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as características histopatológicas da mastite granulomatosa?

A mastite granulomatosa é caracterizada por uma reação granulomatosa crônica com a presença de células epitelióides, células gigantes multinucleadas dos tipos corpo estranho e de Langhans, sem necrose caseosa.

Como a doença de Mondor se diferencia de outras mastites?

A doença de Mondor é uma flebite superficial autolimitada da mama, caracterizada por um cordão doloroso e palpável que acompanha o trajeto venoso cutâneo, sem ser uma inflamação glandular difusa.

Qual a importância do diagnóstico diferencial na mastite crônica?

O diagnóstico diferencial é crucial para excluir outras condições, como infecções específicas (tuberculose), doenças autoimunes (sarcoidose, lúpus), mastite diabética ou até mesmo carcinoma inflamatório da mama, que podem mimetizar a mastite granulomatosa.

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