USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Mulher de 69 anos, queixando-se de discreto aumento do volume abdominal há quatro meses. Ao exame ginecológico palpa-se massa endurecida e aderida de 7 cm de diâmetro em região anexial esquerda. OCA 125 é de 380 UI/mi e a ultrassonografia transvaginal está representada na figura. Qual é a melhor conduta?
Massa anexial >65a + CA 125 ↑ + características suspeitas → Avaliação cirúrgica imediata.
Em mulheres pós-menopausa com massa anexial complexa, endurecida, aderida e CA 125 elevado, a suspeita de malignidade é alta. A conduta inicial deve ser a avaliação cirúrgica para diagnóstico e estadiamento, evitando biópsias percutâneas que podem disseminar a doença.
A avaliação de massas anexiais é um desafio comum na prática ginecológica, exigindo uma abordagem sistemática para diferenciar lesões benignas de malignas. A idade da paciente, o status menopausal, as características da massa ao exame físico e ultrassonográfico, e os níveis de marcadores tumorais como o CA 125 são cruciais para estratificar o risco de malignidade. Em mulheres pós-menopausa, qualquer massa anexial deve ser vista com maior cautela devido ao aumento da incidência de câncer de ovário. A fisiopatologia do câncer de ovário é complexa e multifatorial, mas a detecção precoce é fundamental para um melhor prognóstico. O diagnóstico é frequentemente tardio devido à ausência de sintomas específicos nas fases iniciais. A ultrassonografia transvaginal é o método de imagem inicial de escolha, mas características como tamanho > 5 cm, presença de componentes sólidos, septações espessas, vascularização interna e ascite aumentam a suspeita. O CA 125, embora não seja um marcador de rastreamento, é valioso na avaliação de massas suspeitas. Diante de uma alta suspeita de malignidade, como no caso apresentado, a conduta mais adequada é a avaliação cirúrgica por um ginecologista oncológico. Isso permite a obtenção de material para diagnóstico histopatológico definitivo e, se confirmado o câncer, o estadiamento cirúrgico completo. A biópsia por agulha grossa é geralmente evitada para não comprometer o estadiamento e o prognóstico.
Sinais incluem idade avançada (pós-menopausa), massa sólida, irregular, aderida, septações espessas, ascite e níveis elevados de CA 125.
A biópsia percutânea pode causar disseminação de células tumorais na cavidade peritoneal, dificultando o estadiamento e piorando o prognóstico.
O CA 125 é um marcador tumoral que, quando elevado em mulheres pós-menopausa com massa anexial, aumenta significativamente a suspeita de câncer de ovário, embora não seja específico.
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