Massa Anexial Maligna: Abordagem Diagnóstica e Estadiamento

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 62 anos apresenta dor hipogástrica associada a sintomas dispépticos há 06 meses. AP: G0P0. US abdome total: grande massa heterogênea de provável origem anexial, apresentando septos e áreas sólidas associadas a fluxo ao Doppler, com implantes sugestivos de acometimento secundário em andar superior, provável acometimento do fígado e alças intestinais, omental cake e volumosa ascite. A melhor conduta é

Alternativas

  1. A) aparotomia exploradora para estadiamento e ressecção tumoral.
  2. B) laparoscopia exploradora para estadiamento e biópsia da lesão.
  3. C) laparotomia para ressecção tumoral seguida de quimioterapia.
  4. D) radioterapia e quimioterapia exclusivas.

Pérola Clínica

Massa anexial com sinais de malignidade avançada e carcinomatose peritoneal → laparoscopia para estadiamento e biópsia.

Resumo-Chave

Diante de uma massa anexial com fortes indícios de malignidade avançada e disseminação peritoneal (ascite, omental cake, implantes), a laparoscopia exploradora é a conduta inicial mais adequada para confirmar o diagnóstico histopatológico através de biópsia e realizar o estadiamento preciso, antes de definir a estratégia terapêutica definitiva (cirurgia citorredutora ou quimioterapia neoadjuvante).

Contexto Educacional

Massas anexiais em mulheres pós-menopausa, especialmente com características ultrassonográficas de malignidade (septos, áreas sólidas, fluxo ao Doppler) e sinais de disseminação peritoneal (ascite, implantes, omental cake), são altamente sugestivas de câncer de ovário avançado. O câncer de ovário é a neoplasia ginecológica com maior mortalidade, frequentemente diagnosticado em estágios avançados devido à natureza inespecífica dos sintomas iniciais. A epidemiologia mostra maior incidência em mulheres mais velhas e com história familiar. A fisiopatologia do câncer de ovário envolve a proliferação descontrolada de células epiteliais ovarianas, com tendência a se disseminar precocemente para o peritônio. O diagnóstico é suspeitado por exames de imagem e marcadores tumorais (CA-125), mas a confirmação histopatológica é essencial. É crucial suspeitar de doença avançada quando há ascite, distensão abdominal, sintomas dispépticos e evidência de implantes peritoneais. A conduta inicial em casos de suspeita de câncer de ovário avançado é crítica. Antes de uma laparotomia exploradora com intenção de citorredução, é fundamental obter um diagnóstico histopatológico e um estadiamento preciso. A laparoscopia exploradora permite a visualização direta da cavidade, a coleta de biópsias de lesões suspeitas (incluindo omento e peritônio) e a avaliação da extensão da doença, o que guiará a decisão entre cirurgia citorredutora primária ou quimioterapia neoadjuvante seguida de cirurgia. Essa abordagem minimamente invasiva para diagnóstico e estadiamento evita uma laparotomia desnecessária em casos de doença irressecável ou quando a quimioterapia neoadjuvante é a melhor primeira opção.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da laparoscopia em casos de massa anexial com suspeita de malignidade avançada?

A laparoscopia permite a visualização direta da cavidade abdominal, a coleta de biópsias para confirmação histopatológica do tipo tumoral e o estadiamento preciso da doença, avaliando a extensão da carcinomatose peritoneal e a ressecabilidade.

O que é "omental cake" e qual sua relevância em massa anexial?

"Omental cake" (bolo omental) é o espessamento e endurecimento do omento maior devido à infiltração por células tumorais, sendo um forte indicativo de carcinomatose peritoneal, frequentemente associada a câncer de ovário avançado.

Quando a quimioterapia neoadjuvante é considerada para câncer de ovário avançado?

A quimioterapia neoadjuvante é considerada quando a doença é muito avançada e a cirurgia citorredutora primária não parece ser viável ou completa. Ela visa reduzir o volume tumoral para tornar a cirurgia subsequente mais eficaz.

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