Massa Anexial na Gestação: Abordagem Diagnóstica e Conduta

HOA - Hospital Oftalmológico do Acre - Rio Branco — Prova 2020

Enunciado

Gestante de 8 semanas realizou ultrassonografia obstétrica inicial que evidenciou massa anexial cística complexa, de provável origem ovariana. A imagem possuía diâmetro de 7 cm, cápsula fina e presença de nodulação intracística ecogênica sem fluxo ao estudo Doppler. A dosagem de Ca125 = 263 U/mL. A primeira hipótese diagnóstica e conduta são

Alternativas

  1. A) Cistoadenoma seroso de ovário - dosagem seriada de Ca125 para definir conduta cirúrgica.
  2. B) Cistoadenocarcinoma de ovário - laparotomia exploradora para anexectomia.
  3. C) Disgerminoma de ovário - laparotomia exploradora de anexectomia.
  4. D) Tumor borderline de ovário - laparotomia exploradora, ressecção do cisto, preservação do ovário.
  5. E) Cisco teca-luteínico hemorrágico - nova ultrassonografia com 11 semanas.

Pérola Clínica

Massa anexial cística complexa na gestação com Ca125 ↑, especialmente no 1º trimestre → considerar cisto funcional/benigno, como teca-luteínico hemorrágico.

Resumo-Chave

No primeiro trimestre da gestação, a maioria das massas anexiais é funcional e benigna, como o cisto teca-luteínico, que pode ser complexo e ter Ca125 elevado devido à gestação. A conduta inicial é expectante com reavaliação.

Contexto Educacional

A detecção de uma massa anexial durante a gestação é um achado relativamente comum, ocorrendo em cerca de 1 a 2% das gestações. A maioria dessas massas é benigna e funcional, como os cistos de corpo lúteo ou teca-luteínicos, que são essenciais para a manutenção da gravidez no primeiro trimestre. No entanto, a presença de características complexas na ultrassonografia e um Ca125 elevado pode gerar preocupação e levantar a suspeita de malignidade. No primeiro trimestre, o Ca125 pode estar fisiologicamente elevado devido à produção por tecidos gestacionais, como a decídua e o peritônio, tornando sua interpretação mais desafiadora. Cistos teca-luteínicos, que podem ser hemorrágicos, podem apresentar-se como massas complexas, com septações e ecos internos, e são frequentemente associados a níveis elevados de hCG (como em gestações múltiplas ou doença trofoblástica gestacional), embora possam ocorrer em gestações normais. A conduta inicial para massas anexiais complexas no primeiro trimestre é geralmente conservadora, com acompanhamento ultrassonográfico seriado. A maioria regride espontaneamente até o segundo trimestre. A intervenção cirúrgica é considerada apenas em casos de dor aguda, torção, ruptura, crescimento rápido ou forte suspeita de malignidade persistente após reavaliação.

Perguntas Frequentes

Quais são as características ultrassonográficas de um cisto teca-luteínico hemorrágico?

Cistos teca-luteínicos hemorrágicos podem apresentar-se como massas císticas complexas, com septações finas, ecos internos e, por vezes, nodulações intracísticas sem fluxo ao Doppler, simulando malignidade.

Por que o Ca125 pode estar elevado na gestação sem indicar malignidade?

O Ca125 pode estar fisiologicamente elevado na gestação, especialmente no primeiro trimestre, devido à produção por tecidos como o peritônio, endométrio e decídua, não sendo um marcador exclusivo de câncer de ovário nesse contexto.

Qual a conduta inicial para uma massa anexial complexa no primeiro trimestre da gestação?

A conduta inicial é geralmente expectante, com acompanhamento ultrassonográfico seriado, pois a maioria das massas é funcional e tende a regredir espontaneamente. A cirurgia é reservada para casos de complicações ou forte suspeita de malignidade persistente.

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