UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente feminina, de 52 anos, com hipertensão arterial sistêmica (em tratamento com hidroclorotiazida e enalapril) e dislipidemia (em tratamento com atorvastatina), trouxe à consulta resultados de exames laboratoriais de rotina, que identificaram elevação de aminotransferases (AST de 59 U/l e ALT de 74 U/l), glicemia de jejum de 184 de mg/dl, HbA1c de 6,1%, ferritina de 483 ng/ml, além de ultrassonografia abdominal, que revelou esteatose hepática moderada. Não tinha história de consumo de álcool, e as sorologias para hepatites B e C foram negativas. Estava assintomática. Ao exame físico, apresentava pressão arterial de 142/94 mmHg, circunferência abdominal de 102 cm, peso de 89 kg, altura de 165 cm (IMC de 32 kg/m2 ), abdômen globoso e hepatimetria de 14 cm na linha hemiclavicular. Com base no quadro, assinale a assertiva correta sobre MASLD (Metabolic disfunction-associated steatotic liver disease).
MASLD → alta prevalência em DM2 (~65%) e obesidade grau 3 (~90%).
A MASLD é uma condição comum, especialmente em pacientes com comorbidades metabólicas como diabetes tipo 2 e obesidade grave, refletindo a forte associação com a síndrome metabólica. A prevalência é significativamente maior nessas populações de risco.
A Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD), anteriormente conhecida como NAFLD, é uma condição hepática crônica caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado, não atribuível ao consumo excessivo de álcool. Sua prevalência tem aumentado globalmente, paralelamente à epidemia de obesidade e diabetes tipo 2, tornando-se a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo ocidental. É um espectro que varia de esteatose simples a esteato-hepatite (MASH), fibrose e cirrose. O diagnóstico da MASLD é baseado na evidência de esteatose hepática (por imagem ou biópsia) na ausência de outras causas secundárias de acúmulo de gordura no fígado e na presença de pelo menos um critério cardiometabólico. A ultrassonografia abdominal é frequentemente o primeiro exame de imagem, mas sua acurácia é limitada para graus leves de esteatose. A elevação de aminotransferases é comum, mas não específica, e a hiperferritinemia leve pode ocorrer devido ao estado inflamatório associado à síndrome metabólica. O manejo da MASLD foca na modificação do estilo de vida, incluindo dieta e exercícios, para promover a perda de peso. O controle rigoroso de comorbidades como diabetes, dislipidemia e hipertensão é fundamental. A progressão da doença pode levar a complicações graves, como cirrose e carcinoma hepatocelular, ressaltando a importância do diagnóstico precoce e da intervenção.
Os principais fatores de risco incluem obesidade, diabetes tipo 2, dislipidemia, hipertensão arterial e síndrome metabólica.
A hiperferritinemia leve é comum na MASLD e reflete um estado inflamatório, não indicando necessariamente hemocromatose hereditária.
A ultrassonografia é uma ferramenta útil para detectar esteatose hepática, mas sua sensibilidade e especificidade variam, sendo mais acurada para graus moderados a graves.
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