UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Homem, 60 anos de idade, com obesidade e diabetes tipo 2, recebe o diagnóstico de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, com fibrose em estágio F3 na biópsia hepática. Qual é a causa mais comum de morte nestes pacientes?
A principal causa de morte em pacientes com MASLD (antiga DHGNA) é a Doença Cardiovascular.
Embora a progressão para cirrose e hepatocarcinoma seja uma preocupação na MASLD, a forte associação com a síndrome metabólica torna os eventos cardiovasculares os principais responsáveis pela mortalidade.
A Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD) é atualmente a causa mais comum de doença hepática crônica no mundo. Sua história natural é marcada por uma forte ligação com a resistência à insulina e inflamação sistêmica. Embora a esteato-hepatite (MASH) possa levar à cirrose, a maioria dos pacientes compartilha um fenótipo de alto risco cardiovascular. Estudos epidemiológicos de longa duração confirmam consistentemente que a doença isquêmica do coração e o acidente vascular cerebral são as causas número um de óbito nessa população. A mortalidade relacionada ao fígado aparece apenas como a segunda ou terceira causa, ganhando relevância proporcional apenas quando o paciente atinge o estágio de cirrose estabelecida (F4).
MASLD (Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease) é a nova nomenclatura para a antiga DHGNA (Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica). A mudança visa remover termos estigmatizantes ('gordurosa', 'não alcoólica') e enfatizar a fisiopatologia central: a disfunção metabólica (obesidade, diabetes, dislipidemia). Para o diagnóstico, exige-se a presença de esteatose hepática associada a pelo menos um fator de risco cardiometabólico.
A fibrose estágio F3 é considerada fibrose avançada (pré-cirrótica). Ela é o principal preditor histológico de mortalidade a longo prazo em pacientes com MASLD. Pacientes com F3 têm um risco significativamente maior de evoluir para cirrose (F4) e carcinoma hepatocelular (CHC), mas, estatisticamente, ainda possuem maior probabilidade de morrer por causas cardiovasculares antes de desenvolverem falência hepática terminal.
O manejo deve ser multifatorial. Além de focar na saúde do fígado (perda de peso, dieta mediterrânea, exercícios), é crucial o controle rigoroso dos fatores de risco cardiovascular. Isso inclui o uso de estatinas, controle da pressão arterial e otimização do tratamento do diabetes, preferencialmente com agonistas de GLP-1 ou inibidores de SGLT2, que demonstraram benefícios tanto metabólicos quanto cardiovasculares.
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