SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Maria traz em consulta pela primeira vez com MFC o seu pai Zeca, de 65 anos, e conta que ele esteve internado novamente no último mês por quadro de pneumonia. "Já é a quinta vez no último ano que ele passa mal de falta de ar e eu tenho que levá-lo na UPA". Ela acrescenta que ele tem fumado mais de 1 maço ao dia, não tem realizado as bombinhas que foram prescritas na última consulta que teve em uma clínica popular e não sabe dizer o nome delas. "Ai, como ele é teimoso Doutor!" Zeca refere que há muitos anos tem falta de ar, mas que nos últimos meses tem tido falta de ar até mesmo para pentear os cabelos, além de tosse às vezes secretiva quase todos os dias que o incomoda. Não tem outras queixas, nega outros problemas de saúde e não faz uso de outros medicamentos. Ao exame físico ele apresentava um aumento do diâmetro ânteroposterior do tórax, diminuição do som vesicular bilateralmente à ausculta, com alguns sibilos inspiratórios, SatO2 93%. De acordo com o caso, podemos afirmar que:
DPOC + infecções recorrentes + tosse produtiva = considerar bronquiectasia como comorbidade.
O paciente apresenta um quadro clássico de DPOC (tabagismo, dispneia progressiva, tosse crônica, exame físico compatível). A história de pneumonias de repetição e tosse secretiva persistente, mesmo em um paciente com DPOC, levanta a suspeita de bronquiectasia, uma comorbidade comum que agrava o prognóstico e a frequência de exacerbações.
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição comum, progressiva e prevenível, caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo, geralmente causada pela exposição significativa a partículas ou gases nocivos, sendo o tabagismo a principal causa. A dispneia, tosse crônica e expectoração são sintomas cardinais, e o diagnóstico é confirmado por espirometria. Em pacientes com DPOC, é crucial estar atento a comorbidades que podem impactar o prognóstico e a qualidade de vida. A bronquiectasia, uma dilatação irreversível dos brônquios, é uma comorbidade frequentemente subdiagnosticada em pacientes com DPOC, especialmente aqueles com histórico de infecções respiratórias de repetição e tosse produtiva persistente. Sua presença agrava o quadro clínico e aumenta o risco de exacerbações. O manejo do paciente com DPOC deve ser abrangente, incluindo cessação do tabagismo, vacinação, broncodilatadores, reabilitação pulmonar e, se indicada, oxigenioterapia. A suspeita de bronquiectasia requer investigação adicional, geralmente com tomografia de tórax de alta resolução, e pode influenciar a estratégia terapêutica, como a necessidade de antibióticos de longo prazo ou fisioterapia respiratória específica.
O diagnóstico de DPOC é clínico-epidemiológico (tabagismo, exposição a biomassa) e confirmado pela espirometria, que mostra obstrução persistente ao fluxo aéreo (VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador).
A bronquiectasia é uma dilatação anormal e permanente dos brônquios, que pode ser causada ou agravada por infecções recorrentes e inflamação crônica, condições frequentemente presentes em pacientes com DPOC, especialmente fumantes.
Sinais de alerta incluem exacerbações infecciosas frequentes, tosse crônica com grande volume de expectoração purulenta, hemoptise e achados radiológicos como espessamento brônquico e dilatação das vias aéreas na tomografia de tórax.
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