Cirurgia do Câncer Colorretal: Margens e Princípios Oncológicos

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024

Enunciado

Em relação à cirurgia do câncer colorretal, assinale a afirmativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) A fáscia de Denonvillier's no homem é o equivalente ao septo retovaginal na mulher.
  2. B) A margem de ressecção longitudinal de um tumor de cólon não deve ser menor do que 5cm
  3. C) A margem de ressecção longitudinal de um tumor de reto não deve ser menor do que 5 cm.
  4. D) A retirada de, pelo menos, 12 linfonodos na hemicolectomia direita é sinal de uma boa linfadenectomia.
  5. E) O estadiamento de um tumor de reto deve incluir uma ressonância magnética da pelve.

Pérola Clínica

Margem distal reto = 1-2 cm; Margem cólon = 5 cm; Mínimo 12 linfonodos para estadiamento adequado.

Resumo-Chave

No câncer de reto, margens distais de 1 a 2 cm são oncologicamente seguras, permitindo a preservação esfincteriana, ao contrário dos 5 cm exigidos no cólon.

Contexto Educacional

O tratamento cirúrgico do câncer colorretal segue princípios oncológicos rígidos para garantir a cura e reduzir a recidiva. No cólon, a ressecção baseia-se na vascularização, exigindo margens de 5 cm e ligadura vascular na origem. No reto, a técnica de Excisão Total do Mesorreto (ETM) é o padrão, onde se remove o reto junto com sua gordura perirretal e linfonodos envoltos pela fáscia mesorretal. A anatomia pélvica é complexa; a fáscia de Denonvilliers separa o reto das vesículas seminais e próstata no homem, sendo o plano de dissecação anterior. O conhecimento das margens distais reduzidas no reto (1-2 cm) revolucionou a cirurgia, permitindo a preservação de esfíncteres em tumores que antigamente exigiriam amputação abdominoperineal.

Perguntas Frequentes

Qual a margem de ressecção distal recomendada para o câncer de reto?

Diferente do cólon, onde se busca uma margem longitudinal de 5 cm, no câncer de reto a margem distal recomendada é menor. Para tumores de reto médio e baixo, uma margem distal de 1 a 2 cm é considerada oncologicamente segura e suficiente para evitar a recorrência local. Em casos de tumores muito baixos ou após quimioterapia neoadjuvante, margens de até 1 cm podem ser aceitáveis. Essa redução na margem é fundamental para permitir a realização de anastomoses ultrabaixas e a preservação do aparelho esfincteriano, evitando a necessidade de colostomia definitiva (Cirurgia de Miles).

Por que são necessários pelo menos 12 linfonodos na peça cirúrgica?

A análise de, no mínimo, 12 linfonodos é um indicador de qualidade da cirurgia oncológica e do processamento anatomopatológico. Esse número é necessário para garantir um estadiamento nodal (N) acurado. Se menos de 12 linfonodos forem analisados e todos forem negativos, há um risco aumentado de subestadiamento (falso N0), o que pode privar o paciente de uma quimioterapia adjuvante necessária. A hemicolectomia direita, por envolver a ligadura da artéria ileocólica e cólica média, naturalmente deve resultar em uma colheita linfonodal adequada.

Qual a importância da Ressonância Magnética (RM) no câncer de reto?

A RM de pelve com protocolo de alta resolução é o padrão-ouro para o estadiamento local do câncer de reto. Ela permite avaliar a profundidade da invasão tumoral na parede retal (T), o envolvimento de linfonodos mesorretais (N) e, crucialmente, a relação do tumor com a fáscia mesorretal (margem de ressecção circunferencial - MRC). A identificação de uma MRC comprometida ou ameaçada pela RM é um dos principais critérios para indicar o tratamento neoadjuvante (quimiorradioterapia) antes da cirurgia definitiva, visando reduzir a taxa de recidiva local.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo