Disbasias: Tipos de Marcha e Suas Características Clínicas

HOB - Hospital Oftalmológico de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

Sobre os tipos de disbasia (alteração da marcha), é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Marcha espástica: essa é a característica de intoxicação alcoólica ou por barbitúricos. O paciente embriagado titubeia, cambaleia, inclina-se para diante e para trás, parecendo, a cada momento, que está prestes a perder o equilíbrio e cair. O controle sobre o tronco e as pernas fica mais comprometido.
  2. B) Marcha vestibular: quando o doente tem paralisia do movimento de flexão do pé ao tentar caminhar, toca com a ponta do pé o solo e tropeça. Para evitar, levanta acentuadamente o membro inferior, lembrando o “passo de ganso”.
  3. C) Marcha escavante: o paciente, para caminhar, acentua a lordose lombar e vai inclinando o tronco ora para direita, ora para esquerda, alternadamente, lembrando o andar de um pato. Observada nos pacientes com diminuição da força dos músculos pélvicos e da coxa, e também nas mulheres grávidas.
  4. D) Marcha Parkinsoniana: o doente anda como um bloco, enrijecido, sem o movimento automático dos braços. A cabeça permanece inclinada para frente e os passos são curtos e rápidos, dando a impressão de que o doente “corre atrás do seu centro de gravidade” e que vai cair pra frente.

Pérola Clínica

Marcha Parkinsoniana: passos curtos/rápidos, tronco fletido, sem balanço de braços, festinação. Marcha espástica: arrastar pé. Marcha vestibular: desvio. Marcha escarvante: pé caído.

Resumo-Chave

A marcha Parkinsoniana é caracterizada por bradicinesia, rigidez, perda dos movimentos associados (balanço dos braços), postura fletida e passos curtos e rápidos (festinação), dando a impressão de que o paciente 'corre atrás do seu centro de gravidade'. Outras disbasias incluem a marcha espástica (arrastar do pé), vestibular (desvio lateral) e escarvante (pé caído com elevação exagerada do joelho).

Contexto Educacional

As alterações da marcha, ou disbasias, são sinais neurológicos importantes que podem indicar uma variedade de condições subjacentes, desde distúrbios do sistema nervoso central até doenças musculoesqueléticas. A correta identificação e descrição dos tipos de marcha são fundamentais na semiologia neurológica e para o diagnóstico diferencial. Cada padrão de marcha reflete uma disfunção específica em diferentes vias motoras ou sensoriais. A marcha Parkinsoniana, por exemplo, é um achado clássico da doença de Parkinson e outras síndromes parkinsonianas, caracterizada por bradicinesia, rigidez e instabilidade postural. Outros tipos incluem a marcha espástica, comum em lesões do trato corticoespinhal; a marcha vestibular, indicativa de disfunção do sistema vestibular; a marcha escarvante, associada à fraqueza dos dorsiflexores do pé; e a marcha miopática (anserina), vista em miopatias e fraqueza da musculatura pélvica. Para residentes e estudantes de medicina, o domínio da semiologia das disbasias é crucial. A observação atenta da marcha do paciente pode fornecer pistas valiosas para a localização da lesão neurológica e para o diagnóstico etiológico. A prática e o conhecimento aprofundado dessas características são essenciais tanto para a aprovação em provas quanto para a excelência na prática clínica diária.

Perguntas Frequentes

Quais são as características distintivas da marcha Parkinsoniana?

A marcha Parkinsoniana é caracterizada por uma postura fletida (cabeça e tronco para frente), passos curtos e arrastados (bradicinesia), ausência do balanço automático dos braços e festinação, onde o paciente acelera os passos para evitar a queda, como se estivesse 'correndo atrás do seu centro de gravidade'.

Como diferenciar a marcha espástica da marcha cerebelar?

A marcha espástica (hemiparética ou paraparesia espástica) é caracterizada por rigidez, arrastar do pé (circundução) e dificuldade em flexionar o joelho e o quadril. A marcha cerebelar (atáxica), por outro lado, é caracterizada por desequilíbrio, titubeio, base alargada e incoordenação, como na intoxicação alcoólica.

O que é a marcha escarvante e qual sua causa principal?

A marcha escarvante (ou steppage) ocorre quando o paciente tem paralisia dos músculos dorsiflexores do pé, resultando em 'pé caído'. Para evitar arrastar a ponta do pé no chão e tropeçar, o paciente levanta exageradamente o membro inferior, lembrando o 'passo de ganso'.

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