PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Biomarcadores ou marcadores tumorais são estruturas moleculares ou teciduais que permitem prever o comportamento futura de um câncer (in. Aparelho Digestivo, Clínica e Cirurgia; 4ª ed). Considerando os marcadores tumorais usados em neoplasias do aparelho digestivo, podemos afirmar que:
CEA elevado ≠ Câncer; pode subir em tabagismo, inflamações, infecções e cistos benignos.
Marcadores tumorais como CEA e CA 19-9 possuem baixa especificidade diagnóstica, sendo fundamentais para o acompanhamento de recidivas e resposta terapêutica, não para o screening inicial.
Os marcadores tumorais são macromoléculas cuja presença ou alteração na concentração pode ser correlacionada com a presença de uma neoplasia. No aparelho digestivo, o CEA é o padrão para câncer colorretal, enquanto o CA 19-9 destaca-se nas neoplasias biliopancreáticas. É crucial compreender que esses biomarcadores raramente são diagnósticos isoladamente devido à sobreposição de valores com doenças benignas e processos inflamatórios. A interpretação deve sempre considerar a cinética do marcador (tendência de subida ou descida) e o contexto clínico-radiológico do paciente. O uso inadequado pode levar a investigações invasivas desnecessárias ou ansiedade excessiva no paciente. Por exemplo, o SCCA (Squamous Cell Carcinoma Antigen) é marcador de carcinomas de células escamosas (como esôfago ou canal anal) e não de tumores neuroendócrinos, que utilizam a Cromogranina A.
Não, o Antígeno Carcino-embrionário (CEA) apresenta baixa especificidade diagnóstica. Ele pode estar elevado em diversas condições não neoplásicas, como tabagismo, DPOC, pancreatite, cirrose hepática, insuficiência renal e até em processos infecciosos ou inflamatórios como artrite reumatoide e infecções urinárias. Sua principal utilidade clínica reside no monitoramento pós-operatório para detecção precoce de recidivas em pacientes com diagnóstico confirmado de adenocarcinoma colorretal, onde a elevação persistente sugere retorno da doença.
O CA 19-9 é o marcador de escolha para o adenocarcinoma ductal de pâncreas, mas possui limitações importantes. Ele pode estar elevado em condições benignas como colestase, icterícia obstrutiva e pancreatite crônica. Além disso, indivíduos com fenótipo Lewis negativo (cerca de 5-10% da população) não produzem o antígeno, resultando em falsos negativos mesmo na presença de tumores volumosos. É fundamental para avaliar a resposta ao tratamento quimioterápico e predizer a ressecabilidade tumoral.
A AFP é utilizada principalmente no rastreamento e diagnóstico do Carcinoma Hepatocelular (CHC) em pacientes cirróticos, geralmente em conjunto com a ultrassonografia semestral. Também é um marcador importante para tumores de células germinativas não seminomatosos. Elevações fisiológicas ocorrem na gestação, mas níveis patologicamente altos podem indicar sofrimento fetal ou defeitos do tubo neural. No contexto de mola hidatiforme, o marcador de escolha é o Beta-hCG, não a AFP.
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