Manutenção Hidroeletrolítica no Pós-Operatório: Guia Prático

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Ricardo, 58 anos, pesando 80 kg, encontra-se no primeiro dia de pós-operatório de uma hemicolectomia direita por neoplasia de cólon, realizada por via laparoscópica sem intercorrências. O paciente permanece em jejum por opção da equipe cirúrgica, está hemodinamicamente estável, afebril e com diurese de 1,2 mL/kg/h. Não apresenta drenos, sondas ou perdas digestivas anormais. Considerando as necessidades basais de um adulto hígido no pós-operatório imediato, a prescrição de manutenção hidroeletrolítica mais adequada para as próximas 24 horas é:

Alternativas

  1. A) 2.400 mL de Soro Fisiológico 0,9% puro, sem adição de outros componentes, para garantir a oferta volêmica e de sódio necessária.
  2. B) 4.500 mL de Ringer Lactato, visando manter a estabilidade hemodinâmica e repor as perdas do terceiro espaço decorrentes do trauma cirúrgico.
  3. C) 1.000 mL de Soro Glicosado 5% apenas, para fornecer energia mínima e evitar o balanço hídrico excessivamente positivo no pós-operatório.
  4. D) 2.400 mL de solução contendo Glicose a 5% e Cloreto de Sódio, acrescidos de 40 a 80 mEq de Cloreto de Potássio.

Pérola Clínica

Manutenção basal → 30mL/kg/dia água + 1-2mEq/kg Na + 0.5-1mEq/kg K + 50-100g Glicose.

Resumo-Chave

A hidratação de manutenção visa repor perdas insensíveis e urinárias, fornecendo eletrólitos essenciais e glicose mínima para evitar o catabolismo proteico e a cetose.

Contexto Educacional

A prescrição de fluidos no pós-operatório deve ser individualizada, mas segue princípios fisiológicos claros. O objetivo da manutenção é substituir as perdas obrigatórias (urina, fezes, suor e respiração) sem causar desequilíbrios eletrolíticos ou sobrecarga volêmica. A regra de Holliday-Segar é comum na pediatria, mas em adultos, o cálculo por peso (30-35 mL/kg) é mais prático. Além da água, o sódio é o principal determinante da osmolaridade extracelular, enquanto o potássio é essencial para a função celular e condução nervosa. A monitorização da diurese (objetivo > 0,5 mL/kg/h) e dos eletrólitos séricos é mandatória para ajustes finos, especialmente em pacientes com perdas digestivas por drenos ou fístulas, que exigem reposição adicional 'volume a volume' com soluções ringer-lactato ou similares.

Perguntas Frequentes

Quais as necessidades basais de água e eletrólitos em adultos?

Para um adulto hígido, as necessidades hídricas basais giram em torno de 30 a 35 mL/kg/dia. Quanto aos eletrólitos, recomenda-se a oferta de 1 a 2 mEq/kg/dia de Sódio (Na+) e 0,5 a 1 mEq/kg/dia de Potássio (K+). No caso de um paciente de 80 kg, isso equivale a aproximadamente 2400-2800 mL de água, 80-160 mEq de Na+ e 40-80 mEq de K+ em 24 horas. É fundamental ajustar esses valores conforme perdas extraordinárias ou condições clínicas específicas, como insuficiência cardíaca ou renal.

Por que adicionar glicose na solução de manutenção?

A adição de glicose (geralmente 50 a 100g por dia, o que equivale a 1000-2000 mL de SG 5%) não visa a nutrição completa, mas sim o fornecimento de energia mínima para o sistema nervoso central e, principalmente, a prevenção da cetose de jejum e a redução do catabolismo proteico muscular. Em pacientes cirúrgicos em jejum, essa oferta poupa proteínas estruturais e minimiza o balanço nitrogenado negativo no período perioperatório imediato.

Quando evitar o uso excessivo de Soro Fisiológico 0,9%?

O uso prolongado ou em grandes volumes de Soro Fisiológico 0,9% (que contém 154 mEq/L de Na+ e Cl-) pode levar à acidose metabólica hiperclorêmica e sobrecarga de sódio, resultando em edema intersticial. Em cirurgias de grande porte, o excesso de cloreto pode prejudicar a perfusão renal. Portanto, soluções balanceadas ou a combinação de soro glicosado com cloreto de sódio em proporções adequadas são preferíveis para a manutenção basal.

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