Morte Encefálica: Protocolo e Manutenção do Doador de Órgãos

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Em relação ao protocolo de morte encefálica e doação de órgãos, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) o teste da apneia consiste em manter o paciente desconectado do ventilador, com cateter de oxigênio a 2 L/min, por um período de 2 minutos e observar presença de movimentos respiratórios.
  2. B) deve ser realizado por dois médicos diferentes, sendo um deles da equipe de transplante.
  3. C) caso todos os testes clínicos sejam compatíveis com morte encefálica, o exame complementar é dispensável.
  4. D) dentre os sedativos e hipnóticos utilizados no paciente com possível morte encefálica, os únicos que não têm sua meia-vida afetada por insuficiência renal são o midazolam e o propofol.
  5. E) após confirmação de morte encefálica de potencial doador, os cuidados incluem, se necessário, uso de drogas vasoativas, hemotransfusão e uso de antibióticos.

Pérola Clínica

Morte encefálica: após confirmação, manter doador potencial com vasoativos, hemotransfusão e ATB se necessário.

Resumo-Chave

Após a confirmação da morte encefálica, a manutenção do potencial doador de órgãos é crucial para preservar a viabilidade dos órgãos. Isso envolve uma série de medidas de suporte hemodinâmico, respiratório e metabólico, incluindo o uso de drogas vasoativas para manter a pressão arterial e perfusão dos órgãos, hemotransfusão para corrigir anemia e coagulopatias, e antibióticos para prevenir infecções que possam comprometer os órgãos a serem doados.

Contexto Educacional

O protocolo de morte encefálica é um processo rigoroso e bem estabelecido, fundamental para o diagnóstico preciso e para viabilizar a doação de órgãos. A compreensão de cada etapa, desde os testes clínicos até a confirmação por exames complementares, é crucial para a equipe médica. Além do diagnóstico, a manutenção do potencial doador de órgãos é uma etapa crítica, exigindo manejo intensivo para preservar a função dos órgãos e garantir o sucesso do transplante. Este processo complexo envolve múltiplos profissionais e decisões rápidas, com impacto direto na vida de pacientes que aguardam por um transplante.

Perguntas Frequentes

Como é realizado o teste da apneia no protocolo de morte encefálica?

O teste da apneia consiste em desconectar o paciente do ventilador, mantendo a oxigenação por cateter traqueal com O2 a 6-10 L/min, por um período de 8-10 minutos, observando a ausência de movimentos respiratórios. Antes do teste, a PaCO2 deve ser normalizada e a PaO2 otimizada para evitar hipoxemia.

Quais são os cuidados essenciais após a confirmação de morte encefálica em um potencial doador?

Após a confirmação de morte encefálica, os cuidados incluem a manutenção da estabilidade hemodinâmica com drogas vasoativas, correção de distúrbios hidroeletrolíticos e metabólicos, hemotransfusão se necessário, controle da temperatura corporal e uso de antibióticos para prevenir infecções que possam comprometer a viabilidade dos órgãos.

O exame complementar é sempre necessário para o diagnóstico de morte encefálica?

Sim, no Brasil, o diagnóstico de morte encefálica exige a realização de um exame complementar que comprove a ausência de fluxo sanguíneo cerebral ou atividade elétrica cerebral, mesmo que os testes clínicos sejam compatíveis. Exemplos incluem angiografia cerebral, doppler transcraniano, eletroencefalograma ou cintilografia cerebral.

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