Manobra de Pringle: O Que Fazer Quando Falha no Trauma?

São Leopoldo Mandic - Faculdade de Medicina (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino é trazido ao pronto atendimento por ferimento por arma branca em abdome, com exteriorização de parte do epíplon pela ferida e instabilidade hemodinâmica. Foi levado à laparotomia exploradora, onde foi identificada grande laceração hepática à direita, com sangramento ativo. Realizada a manobra de Pringle para controle do sangramento, sem sucesso. Neste momento, devemos suspeitar de:

Alternativas

  1. A) Lesão de veia porta direita.
  2. B) Hemorragia proveniente do parênquima hepático.
  3. C) Lesão da artéria hepática direita.
  4. D) Lesão de veia hepática ou cava retro-hepática.

Pérola Clínica

Falha da Manobra de Pringle → suspeitar lesão de veias hepáticas ou cava retro-hepática.

Resumo-Chave

A manobra de Pringle oclui o fluxo sanguíneo através da artéria hepática e veia porta. Se o sangramento hepático persiste após sua realização, a fonte da hemorragia não está no sistema portal ou arterial hepático, indicando lesão das veias hepáticas ou da veia cava inferior retro-hepática.

Contexto Educacional

O trauma hepático é uma das lesões mais comuns em traumas abdominais, e o controle do sangramento é crucial para a sobrevida do paciente. A manobra de Pringle é uma técnica fundamental na cirurgia de trauma para controlar a hemorragia hepática. Ela envolve a compressão manual ou com clampe vascular do ligamento hepatoduodenal, que contém a artéria hepática, a veia porta e o ducto biliar, interrompendo o fluxo sanguíneo para o fígado. Esta manobra pode ser mantida por até 60-90 minutos em normotermia, com períodos de reperfusão intermitente. Quando a manobra de Pringle é realizada corretamente e o sangramento hepático persiste, isso indica que a fonte da hemorragia não está no sistema arterial ou portal. Nesses casos, a principal suspeita deve ser lesão das veias hepáticas ou da veia cava inferior retro-hepática, que drenam o sangue do fígado diretamente para o coração e não são afetadas pela oclusão do pedículo hepático. Essas lesões são extremamente graves e de difícil manejo, exigindo técnicas cirúrgicas avançadas e, muitas vezes, cirurgia de controle de danos. O reconhecimento rápido da falha da manobra de Pringle e a identificação da provável fonte de sangramento são essenciais para guiar a próxima etapa do manejo cirúrgico, que pode incluir empacotamento hepático, balões intra-cava ou, em centros especializados, reparo vascular direto. Este conhecimento é vital para residentes de cirurgia e emergência, pois impacta diretamente a morbimortalidade em pacientes politraumatizados.

Perguntas Frequentes

O que é a manobra de Pringle e qual seu objetivo no trauma hepático?

A manobra de Pringle consiste na oclusão do pedículo hepático (porta hepatis), que contém a artéria hepática própria, a veia porta e o ducto biliar comum. Seu objetivo é controlar temporariamente o sangramento proveniente do parênquima hepático, ao interromper o fluxo arterial e portal para o fígado.

Quais estruturas vasculares não são ocluídas pela manobra de Pringle?

A manobra de Pringle não oclui as veias hepáticas (direita, média e esquerda) nem a veia cava inferior retro-hepática. Essas estruturas drenam o sangue do fígado diretamente para a circulação sistêmica e, se lesionadas, continuarão a sangrar mesmo com a manobra de Pringle realizada.

Qual a conduta inicial se a manobra de Pringle falha em controlar o sangramento hepático?

Se a manobra de Pringle falha em controlar o sangramento hepático, a suspeita recai sobre lesões das veias hepáticas ou da veia cava retro-hepática. A conduta subsequente pode incluir a compressão direta da lesão, empacotamento hepático (packing), ou, em casos selecionados e com equipe experiente, a reparação vascular direta ou shunts vasculares.

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