CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Qual é a complicação mais frequente no segmento anterior do olho, entre as abaixo, em pacientes infectados pelo vírus HIV?
A complicação de segmento anterior mais comum no paciente HIV+ é o ressecamento ocular (olho seco).
Embora as infecções oportunistas de segmento posterior (como CMV) sejam graves, o olho seco é a alteração mais prevalente no segmento anterior, afetando até 20-25% dos pacientes.
As manifestações oculares do HIV mudaram drasticamente com o advento da TARV. Enquanto a retinite por CMV era a principal causa de cegueira, as alterações da superfície ocular tornaram-se queixas prevalentes na prática clínica atual. O ressecamento ocular (ceratoconjuntivite sicca) é a complicação mais comum do segmento anterior. Estudos indicam que a prevalência de olho seco em pacientes HIV+ é significativamente maior do que na população geral, correlacionando-se por vezes com a contagem de linfócitos T CD4+ baixos. O manejo foca no alívio sintomático e na preservação da integridade da córnea.
A patogênese envolve a infiltração linfocítica das glândulas lacrimais (semelhante à síndrome de Sjögren), além de inflamação crônica da superfície ocular e disfunção das glândulas de Meibomius, exacerbadas pelo estado de imunossupressão.
Além do olho seco, podem ocorrer ceratites herpéticas (HSV, VZV) mais graves, microangiopatia conjuntival, Sarcoma de Kaposi conjuntival e infecções oportunistas da córnea por fungos ou microsporídios.
A Terapia Antirretroviral (TARV) melhora o status imunológico global, o que pode reduzir a incidência de infecções oportunistas, mas o ressecamento ocular muitas vezes persiste como uma condição crônica que requer lubrificação tópica.
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