CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2020
Paciente sob investigação etiológica de uveíte anterior associada a lesões cutâneas (figura I) e nervo ulnar visível à ectoscopia (figura II), apresenta redução da sensibilidade corneana e alteração iriana (figura III - setas). Não apresenta qualquer outro achado clínico ou ocular no momento. Considerando o diagnóstico mais provável com base nos dados apresentados, é correto afirmar:
Hanseníase → Uveíte anterior crônica + hipoestesia corneana + atonia vascular/atrofia iriana.
A hanseníase causa dano ocular por invasão direta e neuropatia. A atonia vascular e a atrofia da íris são marcos da doença crônica, resultando em pupila pouco reagente.
A hanseníase é uma das principais causas de cegueira evitável em áreas endêmicas. O envolvimento ocular ocorre tanto pela proliferação direta do bacilo no segmento anterior (favorecida pela temperatura mais baixa) quanto por fenômenos imunológicos (reações hansênicas) e neuropatia periférica. A tríade de uveíte anterior, anestesia corneana e atrofia iriana é altamente sugestiva. A atonia vascular mencionada no enunciado refere-se à perda do tônus dos vasos irianos e do suporte estromal, contribuindo para a disfunção pupilar. O tratamento ocular deve ser concomitante à poliquimioterapia (PQT) sistêmica, focando no controle da inflamação com corticoides tópicos e na prevenção de complicações da superfície ocular decorrentes da perda de sensibilidade e do lagoftalmo.
A hanseníase pode causar uveíte anterior crônica granulomatosa ou não granulomatosa. Com o tempo, ocorre invasão bacilar e denervação autonômica, levando à atrofia do estroma iriano e à atonia vascular. Isso resulta em pupilas pequenas (miose) que reagem mal à luz e a midriáticos, além de áreas de transiluminação e perda do pregueado iriano normal.
O espessamento do nervo ulnar é um sinal clássico de hanseníase neural. No olho, o acometimento do nervo trigêmeo (V par) causa hipoestesia ou anestesia corneana, enquanto o dano ao nervo facial (VII par) pode causar lagoftalmo. Ambos aumentam drasticamente o risco de ceratite de exposição e úlceras corneanas graves.
As pérolas de íris são pequenos nódulos esbranquiçados, semelhantes a grãos de areia, localizados na margem pupilar ou na superfície da íris. Elas representam agregados de Mycobacterium leprae e células inflamatórias. Embora raras com o tratamento moderno (PQT), são consideradas patognomônicas da forma lepromatosa da doença.
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