DRGE Atípica: Diagnóstico e Investigação com ImpedanciopHmetria

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 50 anos, obeso, queixando-se de tosse seca de início há 4 meses, associada a períodos de rouquidão pela manhã realizou broncoscopia para investigação do quadro que evidenciou hiperemia das pregas vocais e leve edema. Relata episódios esporádicos de pirose e regurgitação. Nega febre. Nega perda ponderal. Nega tabagismo. Sem alterações importantes ao exame físico. Sobre o caso acima, assinale a correta.

Alternativas

  1. A) Quadro clássico de epiglotite, e a conduta mais adequada é antibioticoterapia sistêmica e internação hospitalar.
  2. B) São sintomas clássicos de carcinoma espinocelular. Deve-se prosseguir investigação com esvaziamento cervical devido a alta probabilidade de neoplasia oculta de cabeça e pescoço.
  3. C) São manifestações atípicas da doença do refluxo gastroesofágico e pode ser investigada com impedanciopHmetria.
  4. D) Sintomas altamente sugestivos de acalásia esofágica e deve-se prosseguir a investigação com manometria esofágica.

Pérola Clínica

Tosse crônica + rouquidão + pirose/regurgitação + achados laríngeos → DRGE atípica, investigar com impedanciopHmetria.

Resumo-Chave

A DRGE pode apresentar manifestações atípicas, como tosse crônica e rouquidão, especialmente se houver evidência de refluxo laringofaríngeo (RLF). A impedanciopHmetria esofágica é o método diagnóstico mais sensível para detectar episódios de refluxo, tanto ácido quanto não ácido, correlacionando-os com os sintomas.

Contexto Educacional

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição comum caracterizada pelo refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, causando sintomas e/ou complicações. Embora a pirose e a regurgitação sejam os sintomas clássicos, a DRGE pode se manifestar de forma atípica, com sintomas extradigestivos que afetam o trato respiratório e a laringe, como tosse crônica, rouquidão, asma e dor torácica não cardíaca. A fisiopatologia das manifestações atípicas envolve o refluxo laringofaríngeo (RLF), onde o conteúdo gástrico atinge a laringe e a faringe, causando irritação e inflamação. O diagnóstico pode ser desafiador, pois os sintomas são inespecíficos. A investigação inclui endoscopia digestiva alta para excluir outras causas e avaliar esofagite, mas o exame mais sensível para o RLF e DRGE atípica é a impedanciopHmetria esofágica de 24 horas, que detecta episódios de refluxo ácido e não ácido e sua correlação com os sintomas. O tratamento da DRGE atípica geralmente envolve inibidores da bomba de prótons (IBP) em doses mais altas e por períodos mais prolongados, além de modificações no estilo de vida. É crucial diferenciar a DRGE atípica de outras condições para evitar tratamentos desnecessários e garantir a melhora dos sintomas, impactando positivamente a qualidade de vida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações atípicas mais comuns da DRGE?

As manifestações atípicas da DRGE incluem tosse crônica, rouquidão, asma de difícil controle, dor torácica não cardíaca, globus faríngeo e erosões dentárias, resultantes do refluxo laringofaríngeo.

Quando a impedanciopHmetria esofágica é indicada para DRGE?

A impedanciopHmetria é indicada para pacientes com sintomas atípicos ou refratários ao tratamento empírico, quando a pHmetria convencional é normal ou para diferenciar refluxo ácido de não ácido.

Como a broncoscopia pode auxiliar no diagnóstico de DRGE atípica?

A broncoscopia, especificamente a laringoscopia, pode revelar sinais de refluxo laringofaríngeo, como hiperemia e edema das pregas vocais ou da região interaritenoidea, sugerindo DRGE como causa dos sintomas.

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