Hanseníase: Manifestações Graves e Diagnóstico Diferencial

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2024

Enunciado

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, de evolução lenta e o seu agente etiológico é o Mycobacterium leprae. Seguida das manifestações cutâneas e dos nervos periféricos, a artrite é a terceira manifestação mais comum desta doença. Neste contexto, sabe-se que:

Alternativas

  1. A) as manifestações articulares inflamatórias ocorrem mais frequentemente durante as reações hansênicas, são crônicas e deixam sequelas com deformidade articular.
  2. B) na reação hansênica tipo 2 ou eritema nodoso hansênico, a artrite é predominantemente monoarticular, acometendo principalmente joelhos, forma semelhante à espondiloartrite.
  3. C) os casos mais graves pode ocorrer máculas eritematosas, lesões vesicobolhosas, lesões ulceradas e necróticas, acompanhadas de sintomas sistêmicos com diagnostico diferencial com vasculite.
  4. D) a artrite erosiva não é observada na artrite hansênica, a presença de tal achado exclui a artrite por hanseníase.

Pérola Clínica

Hanseníase grave → máculas eritematosas, lesões vesicobolhosas/ulceradas, sintomas sistêmicos, DD vasculite.

Resumo-Chave

A hanseníase, especialmente em suas formas mais graves ou durante reações hansênicas, pode apresentar manifestações cutâneas diversas e sistêmicas que mimetizam outras doenças. Lesões vesicobolhosas, ulceradas e necróticas, acompanhadas de sintomas sistêmicos, exigem um diagnóstico diferencial cuidadoso com vasculites.

Contexto Educacional

A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, nervos periféricos, trato respiratório superior, olhos e testículos. É uma doença de evolução lenta, com um espectro clínico que varia de formas paucibacilares (com poucas lesões e bacilos) a multibacilares (com muitas lesões e bacilos). A importância clínica reside na sua capacidade de causar incapacidades permanentes se não for diagnosticada e tratada precocemente. A fisiopatologia da hanseníase está ligada à resposta imune do hospedeiro ao M. leprae. As reações hansênicas são episódios inflamatórios agudos que podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento, e são responsáveis por grande parte das sequelas. A reação tipo 1 (reação reversa) é uma hipersensibilidade tardia, enquanto a reação tipo 2 (eritema nodoso hansênico) é mediada por imunocomplexos. As manifestações articulares são a terceira mais comum, ocorrendo frequentemente durante essas reações. O tratamento da hanseníase é feito com politerapia, conforme esquemas padronizados pela OMS. O prognóstico é bom com o tratamento adequado, mas as reações hansênicas e suas complicações podem ser desafiadoras. É crucial reconhecer as diversas manifestações da doença, incluindo as mais graves e atípicas, como lesões vesicobolhosas, ulceradas e necróticas, que podem mimetizar vasculites, para um diagnóstico diferencial preciso e manejo oportuno.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações articulares da hanseníase?

As manifestações articulares podem ser agudas ou crônicas, variando de artralgias inespecíficas a artrites inflamatórias, que ocorrem mais frequentemente durante as reações hansênicas, mas geralmente não são erosivas.

Como as reações hansênicas tipo 2 (eritema nodoso hansênico) se manifestam clinicamente?

A reação tipo 2 se manifesta com nódulos subcutâneos dolorosos, eritematosos, que podem ulcerar, acompanhados de sintomas sistêmicos como febre, mal-estar, e frequentemente poliartrite, irite e orquiepididimite.

Quais são os diagnósticos diferenciais importantes para as manifestações cutâneas graves da hanseníase?

Lesões cutâneas graves, como máculas eritematosas, vesicobolhosas, ulceradas e necróticas, com sintomas sistêmicos, exigem diagnóstico diferencial com vasculites, eritema multiforme, pioderma gangrenoso e outras doenças inflamatórias.

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