Violência Sexual: Manejo Pós-Exposição e Profilaxias

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Você é R1 em medicina de família e comunidade e está atendendo uma mulher vítima de violência sexual que ocorreu há 5 dias. A paciente utiliza dispositivo intrauterino como método contraceptivo e refere que houve penetração sem uso do preservativo. O agressor é próximo da vítima, porém ela desconhece sorologias. Você tem dúvidas sobre o manejo e vai discutir com o preceptor. Além de orientar a notificação e o encaminhamento para serviço de referência e atendimento à mulher vítima de violência, o preceptor deve recomendar:

Alternativas

  1. A) Testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), profilaxia para sífilis, gonorréia e tricomoníase.
  2. B) Testes rápidos para ISTs, profilaxia para sífilis, gonorréia e, se sorologia anti-HIV negativa, prescrição de profilaxia pós-exposição (PEP).
  3. C) Testes rápidos para ISTs, profilaxias para sífilis e gonorréia, contracepção de emergência e, se sorologia anti-HIV negativa, prescrição de PEP.
  4. D) Testes rápidos para ISTs, profilaxias para sífilis, gonorréia e tricomoníase, prescrição de contracepção de emergência.

Pérola Clínica

Violência sexual >72h (até 5 dias) → Testes rápidos ISTs, Profilaxia Sífilis/Gonorreia/Tricomoníase. PEP e CE se <72h.

Resumo-Chave

Em casos de violência sexual, o manejo deve ser abrangente. Para exposições ocorridas há 5 dias (mais de 72 horas), a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV e a contracepção de emergência (CE) não são mais eficazes. No entanto, é fundamental realizar testes rápidos para ISTs e iniciar a profilaxia para sífilis, gonorreia e tricomoníase, além de encaminhamento e notificação.

Contexto Educacional

O atendimento à vítima de violência sexual é uma situação complexa que exige uma abordagem humanizada, multidisciplinar e baseada em protocolos. O objetivo é minimizar os danos físicos e psicológicos, prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez indesejada, e garantir o suporte legal e psicossocial. A notificação compulsória é obrigatória e o encaminhamento para serviços de referência é fundamental. A janela de tempo desde a ocorrência da violência é crítica para a eficácia de algumas intervenções. A profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV e a contracepção de emergência (CE) são mais eficazes se iniciadas nas primeiras 72 horas. Após esse período, a indicação de PEP e CE é questionável, e o foco se desloca para o diagnóstico e tratamento de ISTs já estabelecidas e o acompanhamento. Mesmo após 72 horas (como no caso de 5 dias), é imprescindível realizar testes rápidos para ISTs (HIV, sífilis, hepatites) e iniciar a profilaxia para as ISTs mais comuns, como sífilis, gonorreia e tricomoníase, com esquemas de dose única. A vacinação contra hepatite B e HPV deve ser oferecida. O acompanhamento psicológico e social é contínuo e de extrema importância para a recuperação da vítima.

Perguntas Frequentes

Qual o prazo máximo para a profilaxia pós-exposição (PEP) para HIV após violência sexual?

A PEP para HIV deve ser iniciada idealmente nas primeiras 2 horas após a exposição e tem eficácia comprovada até 72 horas (3 dias). Após 72 horas, sua indicação e eficácia são questionáveis.

Quais profilaxias para ISTs são indicadas após violência sexual?

Independentemente do tempo, são indicadas profilaxias para sífilis (Benzilpenicilina G Benzatina), gonorreia (Ceftriaxona) e tricomoníase (Metronidazol ou Secnidazol), além de vacinação contra hepatite B e HPV, se não imunizada.

Quando a contracepção de emergência é eficaz após violência sexual?

A contracepção de emergência é mais eficaz quanto antes for utilizada, idealmente nas primeiras 72 horas, podendo ter alguma eficácia até 120 horas (5 dias) dependendo do método. No entanto, sua eficácia diminui progressivamente com o tempo.

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