Manejo da Via Aérea no Trauma: Intubação Orotraqueal

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 22 anos, vítima de agressão, é trazido ao pronto socorro com múltiplas lacerações em face e crânio, um rebaixamento do nível de consciência e instável hemodinamicamente. Em relação ao manejo inicial deste paciente, assinale a assertiva que contenha a conduta inicial mais adequada para este paciente.

Alternativas

  1. A)  Intubação orotraqueal.
  2. B)  Via aérea cirúrgica – traqueostomia.
  3. C)  Iniciar protocolo de reanimação maciça.
  4. D)  Tomografia computadorizada de crânio.
  5. E)  Via aérea cirúrgica – cricotireoidostomia.

Pérola Clínica

Trauma facial/crânio + rebaixamento consciência + instabilidade hemodinâmica → Priorizar via aérea com IOT.

Resumo-Chave

Em um paciente traumatizado com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow < 8) e múltiplas lacerações em face e crânio, a proteção da via aérea é a prioridade absoluta para prevenir aspiração e garantir oxigenação adequada, mesmo antes de estabilizar a hemodinâmica. A intubação orotraqueal é a técnica de escolha se não houver contraindicações.

Contexto Educacional

No manejo inicial do paciente traumatizado, o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support) estabelece uma sequência de prioridades que começa com a avaliação e manejo da via aérea (A - Airway com proteção da coluna cervical). Em um paciente com múltiplas lacerações em face e crânio, e, principalmente, com rebaixamento do nível de consciência, a via aérea está em risco iminente de obstrução por sangramento, edema ou aspiração de conteúdo gástrico. O rebaixamento do nível de consciência (geralmente um Glasgow < 8) é uma indicação clássica para intubação orotraqueal, visando proteger a via aérea e garantir ventilação e oxigenação adequadas. Embora o paciente esteja instável hemodinamicamente, a prioridade da via aérea precede a circulação, pois a hipóxia e a hipercapnia podem agravar rapidamente a lesão cerebral e a condição geral do paciente. A intubação orotraqueal é a técnica de escolha na maioria dos casos. A via aérea cirúrgica, como a cricotireoidostomia, é reservada para situações de falha da intubação orotraqueal ou quando há contraindicações absolutas para a via oral/nasal. Iniciar protocolo de reanimação maciça é importante, mas só após garantir a via aérea. A tomografia de crânio é um exame complementar que deve ser realizado após a estabilização do paciente e da via aérea.

Perguntas Frequentes

Quando a intubação orotraqueal é indicada em pacientes traumatizados?

A intubação orotraqueal é indicada em pacientes traumatizados com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow < 8), incapacidade de proteger a via aérea, hipoxemia grave, hipercapnia ou risco iminente de obstrução da via aérea, como em traumas faciais extensos.

Por que a via aérea é a primeira prioridade no trauma, mesmo com instabilidade hemodinâmica?

A via aérea é a prioridade máxima (A do ABCDE do trauma) porque a falta de oxigenação e ventilação adequadas pode levar rapidamente à lesão cerebral irreversível e morte, mesmo antes que a instabilidade hemodinâmica cause danos fatais.

Em que situações a cricotireoidostomia é preferível à intubação orotraqueal?

A cricotireoidostomia é indicada quando a intubação orotraqueal falha ou é contraindicada devido a trauma facial maciço, obstrução da via aérea superior, ou deformidades anatômicas que impedem a passagem do tubo.

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