SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023
Homem, 22 anos, apresenta trauma corto-contuso por cerol em zona II cervical, chega à emergência taquidispneico, com estridor respiratório, sangramento ativo em ferida cervical medindo 1cm e enfisema subcutâneo. Qual a conduta inicial adequada para o caso?
Trauma cervical com estridor e enfisema → suspeita de lesão de via aérea → intubação controlada com broncoscopia para posicionamento seguro.
O estridor respiratório e o enfisema subcutâneo em um trauma cervical indicam lesão da via aérea, que pode progredir rapidamente para obstrução completa. A intubação orotraqueal em sequência rápida é a conduta inicial para assegurar a via aérea, e a broncoscopia é crucial para guiar o tubo abaixo da lesão e evitar agravamento.
O trauma cervical é uma emergência médica que exige avaliação e manejo rápidos, especialmente quando há comprometimento da via aérea. A zona II do pescoço é particularmente vulnerável, abrigando estruturas vitais como laringe, traqueia, esôfago, vasos carotídeos e jugulares, e nervos importantes. Lesões nessa região podem levar rapidamente à obstrução da via aérea, hemorragia maciça ou lesão neurológica. A prioridade no manejo do trauma cervical é a estabilização da via aérea. Sinais como estridor respiratório, taquidispneia e enfisema subcutâneo são indicativos de lesão da via aérea (laringe ou traqueia) e demandam intervenção imediata. A intubação orotraqueal em sequência rápida é a técnica de escolha para garantir a permeabilidade da via aérea, mas deve ser realizada com cautela e, idealmente, com auxílio de broncoscopia para visualizar a extensão da lesão e posicionar o tubo de forma segura abaixo dela, evitando a progressão do dano. Em casos de falha da intubação orotraqueal ou quando a lesão impede a passagem do tubo, a cricotireoidostomia de emergência se torna a alternativa para estabelecer uma via aérea cirúrgica. A traqueostomia de emergência é uma opção mais complexa e geralmente realizada em ambiente controlado. A avaliação secundária, após a estabilização da via aérea e circulação, incluirá exames de imagem como tomografia computadorizada para detalhar as lesões e planejar o tratamento definitivo.
Sinais de alerta incluem estridor, rouquidão, disfonia, dispneia, taquipneia, enfisema subcutâneo, crepitação à palpação cervical, hemoptise e sangramento ativo na ferida cervical.
A broncoscopia é crucial para guiar o tubo orotraqueal com segurança, permitindo a visualização direta da lesão da via aérea e garantindo que o tubo seja posicionado distalmente à lesão, evitando trauma adicional ou obstrução.
A cricotireoidostomia de emergência é indicada quando a intubação orotraqueal falha ou é contraindicada e há necessidade imediata de via aérea. A traqueostomia de emergência é geralmente reservada para situações mais complexas ou quando a cricotireoidostomia não é viável, sendo um procedimento mais invasivo.
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