Trauma Cervical: Manejo da Via Aérea e Intubação

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2025

Enunciado

Paciente, sexo masculino, 25 anos de idade, dá entrada na sala vermelha do Pronto-Socorro, trazido pelo SAMU, vítima de ferimento por arma branca no pescoço há uma hora. Paciente dá entrada com colar cervical e prancha rígida, apresentando confusão mental. No exame inicial,A: Via aérea pérvia, apresentando ferida de 2,0cm aspirativa com sangramento ativo na topografia da cartilagem cricoide, SatO2: 88% com cateter de O2:15L/min;B: murmúrios vesiculares bem distribuídos e sem ruídos adventícios, FR: 28ipm;C: Bulhas rítmicas e normofonéticas, FC: 92bpm, PA: 112x72mmHg, abdome indolor, pelve estável;D: escala de coma de Glasgow:14, pupilas isocóricas e fotorreagentes;E: presença de ferimento medindo 2,0cm na topografia da cartilagem cricoide com sangramento ativo.Diante desse quadro clínico, indique a primeira conduta que deve ser instituída na sala vermelha:

Alternativas

  1. A) Curativo compressivo no ferimento com sangramento.
  2. B) Exploração do ferimento para realizar hemostasia.
  3. C) Transfusão de 2 concentrados de hemácias.
  4. D) Intubação orotraqueal.

Pérola Clínica

Ferimento aspirativo cervical + hipoxemia refratária → Intubação orotraqueal imediata para controle da via aérea.

Resumo-Chave

Em trauma cervical com ferimento aspirativo e hipoxemia, a prioridade é o controle definitivo da via aérea. A intubação orotraqueal protege contra aspiração e garante oxigenação adequada, sendo crucial antes de outras intervenções.

Contexto Educacional

O trauma cervical é uma emergência médica que exige avaliação e manejo rápidos, com foco na estabilização da via aérea, respiração e circulação (ABC do ATLS). Ferimentos por arma branca no pescoço podem comprometer estruturas vitais como traqueia, esôfago, vasos sanguíneos e nervos, levando a complicações graves e potencialmente fatais. A identificação precoce de sinais de comprometimento da via aérea é crucial para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia de um ferimento aspirativo no pescoço envolve a comunicação da lesão com a via aérea, permitindo a entrada de ar e/ou sangue para fora ou para dentro da traqueia/brônquios, o que pode levar à hipoxemia e aspiração. A confusão mental e a baixa saturação de oxigênio, mesmo com oxigênio suplementar, indicam uma falha na oxigenação e ventilação, tornando a intubação orotraqueal a conduta mais adequada para garantir a permeabilidade e proteção da via aérea. O tratamento inicial no trauma cervical segue os princípios do ATLS. A intubação orotraqueal é a conduta prioritária quando há comprometimento da via aérea. Após a estabilização da via aérea, outras medidas como controle de sangramento, avaliação neurológica e exames complementares devem ser realizadas. O prognóstico depende da extensão das lesões e da rapidez e eficácia do manejo inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de comprometimento da via aérea em trauma cervical?

Sinais incluem ferimento aspirativo, estridor, rouquidão, enfisema subcutâneo, dispneia, agitação ou confusão mental, e hipoxemia, indicando a necessidade de intervenção imediata.

Por que a intubação orotraqueal é a primeira conduta nesse caso?

A intubação é crucial para proteger a via aérea de aspiração de sangue ou secreções, garantir oxigenação adequada e ventilação, especialmente em pacientes com ferimentos aspirativos e hipoxemia refratária.

Como diferenciar um ferimento cervical que necessita de intubação de um que não?

A necessidade de intubação é determinada pela presença de sinais de comprometimento da via aérea, como hipoxemia, estridor, hematoma expansivo, enfisema subcutâneo ou ferimento aspirativo, independentemente do sangramento externo.

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