UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Sobre a abordagem da via aérea com proteção da coluna cervical, preconizada pelo ATLS no atendimento ao politraumatizado grave, assinale a alternativa correta:
Cricotireoidostomia por punção = oxigenação temporária (30-45 min) via jato de O2; risco de retenção de CO2.
A cricotireoidostomia por punção é uma medida de exceção que permite oxigenação temporária, mas não ventilação adequada, levando ao acúmulo progressivo de CO2.
O manejo da via aérea no trauma segue a prioridade 'A' do ABCDE do ATLS. A proteção da coluna cervical com colar cervical e imobilização manual é mandatória durante qualquer manipulação. A escolha entre métodos não invasivos e invasivos depende da estabilidade do paciente e da experiência do examinador. A cricotireoidostomia por punção utiliza a técnica de agulha sobre cateter conectada a um sistema de oxigênio de alta pressão (jato). É vital entender que este método não protege contra aspiração e não resolve a ventilação a longo prazo. Já a cânula nasofaríngea deve ser evitada em suspeitas de fratura de base de crânio (sinal de Guaxinim, sinal de Battle, hemotímpano) pelo risco de inserção intracraniana acidental.
De acordo com o ATLS, a cricotireoidostomia por punção (oxigenação por jato transtraqueal) pode fornecer oxigenação adequada por aproximadamente 30 a 45 minutos. No entanto, como o diâmetro da cânula é pequeno, a exalação do CO2 é insuficiente, o que leva à acidose respiratória progressiva. Por isso, é considerada uma medida temporária de 'ponte' até que uma via aérea definitiva (intubação orotraqueal ou via aérea cirúrgica) seja estabelecida.
A cricotireoidostomia cirúrgica não é recomendada para crianças menores de 12 anos (embora algumas literaturas citem 10 anos como limite). Isso ocorre porque a cartilagem cricoide é a única estrutura de suporte circunferencial da laringe superior na criança; lesá-la pode resultar em estenose subglótica permanente. Nesses casos, a cricotireoidostomia por punção ou a traqueostomia de urgência são preferíveis se a intubação falhar.
Uma via aérea definitiva é definida pela presença de um tubo na traqueia com o balonete (cuff) insuflado abaixo das cordas vocais, conectado a uma fonte de oxigênio e fixado adequadamente. Exemplos incluem a intubação orotraqueal, a intubação nasotraqueal e a via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia cirúrgica ou traqueostomia). Dispositivos como máscara laríngea e comitubo não são considerados definitivos.
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