Manejo da Via Aérea em Trauma: Intubação Orotraqueal

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2021

Enunciado

Um paciente foi levado pelo resgate ao pronto-socorro, com colar cervical e em prancha rígida, após colidir com o seu carro contra um poste. Estava alcoolizado e não usava cinto de segurança. No local, foi visto o sinal do alvo no vidro dianteiro do carro. Ao exame físico de entrada, encontrava-se arresponsivo, com respiração ruidosa e oximetria de pulso marcando 85% de saturação de oxigênio. Tinha equimose periorbitária bilateral, lacerações na face e provável fratura de ramo direito da mandíbula.Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a melhor conduta imediata.

Alternativas

  1. A) intubação orotraqueal
  2. B) intubação nasotraqueal
  3. C) cricotireoidostomia por punção
  4. D) cricotireoidostomia cirúrgica
  5. E) traqueostomia

Pérola Clínica

Paciente arresponsivo + respiração ruidosa + saturação ↓ pós-trauma → Prioridade: intubação orotraqueal para via aérea definitiva.

Resumo-Chave

Em um paciente traumatizado, arresponsivo, com respiração ruidosa e hipoxemia (saturação 85%), a prioridade absoluta é garantir uma via aérea definitiva. A intubação orotraqueal é a técnica de escolha na maioria dos casos, mesmo com suspeita de trauma de face/mandíbula, desde que a laringoscopia seja possível e não haja contraindicações absolutas.

Contexto Educacional

No atendimento ao paciente traumatizado, a avaliação e o manejo da via aérea (A de Airway no ATLS) são a prioridade absoluta. Um paciente arresponsivo, com respiração ruidosa e hipoxemia grave (saturação de 85%) indica uma via aérea comprometida e a necessidade urgente de intervenção. O sinal do alvo no vidro sugere trauma cranioencefálico e de face, aumentando o risco de obstrução por sangramento, edema ou fraturas. A intubação orotraqueal é a técnica de escolha para estabelecer uma via aérea definitiva na maioria dos pacientes traumatizados que necessitam de suporte ventilatório. Ela permite o controle da via aérea, proteção contra aspiração e ventilação eficaz. Embora haja suspeita de fratura de mandíbula e trauma de face, a intubação orotraqueal ainda é preferível se a laringoscopia for viável e não houver contraindicações absolutas, como deformidade facial grave que impeça a visualização. Outras opções, como a intubação nasotraqueal, são contraindicadas em trauma de face ou suspeita de fratura de base de crânio. A cricotireoidostomia (por punção ou cirúrgica) e a traqueostomia são vias aéreas cirúrgicas reservadas para situações de "não intubo, não ventilo", quando a intubação orotraqueal falha ou é impossível. A rapidez e a eficácia da intubação orotraqueal a tornam a primeira escolha neste cenário de emergência.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de obstrução de via aérea em um paciente traumatizado?

Sinais incluem respiração ruidosa (estridor, roncos, gorgolejos), agitação, uso de musculatura acessória, cianose, hipoxemia, e alteração do nível de consciência. A ausência de sons respiratórios também pode indicar obstrução completa.

Por que a intubação orotraqueal é a melhor conduta inicial neste cenário de trauma?

A intubação orotraqueal é a forma mais rápida e eficaz de estabelecer uma via aérea definitiva, proteger contra aspiração e garantir ventilação e oxigenação adequadas em um paciente arresponsivo e hipoxêmico com respiração ruidosa, mesmo com trauma de face, desde que a visualização da laringe seja possível.

Quando a cricotireoidostomia é indicada em um trauma?

A cricotireoidostomia (seja por punção ou cirúrgica) é indicada como via aérea de emergência quando a intubação orotraqueal e nasotraqueal falham ou são contraindicadas, como em casos de trauma de face maciço que impede a visualização da laringe ou obstrução de via aérea superior irredutível.

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