Trauma Grave: Checagem da Via Aérea Pós-Intubação

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher, 21 anos, vítima de atropelamento em via públi- ca, chega ao pronto-socorro em prancha longa e com colar cervical e já entubada na cena, pelo socorrista, devido à alteração do nível de consciência (escala de coma de Glasgow 6). Na sala de emergência, os parâ- metros da paciente são: pressão arterial 90 x 60 mmHg, saturação de 89% em ar ambiente e pulso de 128 bpm. A ausculta pulmonar mostra murmúrio vesicular dimi- nuído em todo hemitórax esquerdo. Não há desvio de traqueia e estase jugular. Em relação à via aérea, o pró- ximo passo deverá ser

Alternativas

  1. A) punção torácica no 2º espaço intercostal esquerdo, altura da linha hemiclavicular.
  2. B) drenagem torácica no 4º espaço intercostal esquerdo.
  3. C) realização de radiografia de tórax em PA na sala de emergência.
  4. D) aumentar a oferta de O₂ e o PEEP (pressão positiva expiratória final.
  5. E) checar intubação orotraqueal.

Pérola Clínica

Paciente entubado com piora clínica e hipóxia → checar posicionamento do tubo orotraqueal (IOT).

Resumo-Chave

Em um paciente vítima de trauma grave, entubado e com sinais de hipóxia e instabilidade hemodinâmica, a primeira prioridade é garantir a permeabilidade e o correto posicionamento da via aérea. Checar a intubação orotraqueal é fundamental para descartar extubação, intubação seletiva ou obstrução do tubo.

Contexto Educacional

Em pacientes vítimas de trauma grave, a manutenção de uma via aérea patente e a ventilação adequada são as prioridades absolutas, conforme os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). Uma paciente com Glasgow 6 já entubada na cena, mas que chega ao pronto-socorro com hipóxia (saturação de 89% em ar ambiente, mesmo entubada) e instabilidade hemodinâmica, exige uma reavaliação imediata da via aérea. A checagem da intubação orotraqueal é o primeiro passo. O tubo pode ter sido deslocado durante o transporte, estar seletivamente intubado em um brônquio (o que explicaria o murmúrio vesicular diminuído em um hemitórax), ou estar obstruído. A ausculta pulmonar bilateral, a capnografia e a visualização direta do tubo são essenciais para confirmar o posicionamento correto e a ventilação adequada. Somente após confirmar a via aérea, outras causas de hipóxia e instabilidade, como pneumotórax (embora o desvio de traqueia e estase jugular não estejam presentes, o que afasta um pneumotórax hipertensivo imediato), hemotórax ou choque hipovolêmico, devem ser investigadas e tratadas. A punção ou drenagem torácica, ou a radiografia de tórax, são passos subsequentes à confirmação da via aérea e ventilação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de intubação orotraqueal incorreta ou deslocada?

Sinais incluem ausência de murmúrio vesicular bilateral, murmúrio unilateral, distensão gástrica, ausência de capnografia, cianose, hipóxia e piora hemodinâmica. A ausculta e a capnografia são essenciais para a confirmação.

Qual a sequência de prioridades no manejo inicial do trauma (ATLS)?

A sequência de prioridades segue o mnemônico ABCDE: Airway (via aérea com proteção cervical), Breathing (respiração e ventilação), Circulation (circulação com controle de hemorragias), Disability (avaliação neurológica) e Exposure (exposição e controle de ambiente).

Por que o murmúrio vesicular diminuído em um hemitórax é preocupante após intubação?

Murmúrio vesicular diminuído unilateralmente após intubação sugere intubação seletiva (geralmente no brônquio principal direito) ou pneumotórax/hemotórax no lado afetado, necessitando de avaliação e correção imediatas para evitar hipóxia e instabilidade.

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