Trauma Facial Grave: Manejo da Via Aérea Crítica

UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 25 anos, vítima de colisão automobilística deu entrada na emergência, com frequência respiratória de 32 irpm, glasgow 8 e com grande quantidade de sangue na cavidade oral, na face e no nariz, além da presença de múltiplos dentes fraturados. À inspeção, sinal do Guaxinim bilateral, sinal de Battle e otorragia à direita. À palpação, apresentou crepitação em região mandibular. Nesse caso clínico, além de estabilizar a coluna cervical do paciente, deve-se, nesse momento:

Alternativas

  1. A) Aspirar cavidade oral, nasal e suporte com cateter de oxigênio.
  2. B) Proceder à intubação nasotraqueal.
  3. C) Colocar cânula orofaríngea e iniciar ventilação.
  4. D) Realizar traqueostomia.
  5. E) Realizar cricotireoidostomia.

Pérola Clínica

Trauma facial grave + via aérea comprometida + intubação orotraqueal difícil/contraindicada → cricotireoidostomia.

Resumo-Chave

Em um paciente com trauma facial grave, Glasgow 8 e grande quantidade de sangue na cavidade oral, a via aérea está criticamente comprometida. Dada a dificuldade e contraindicações para intubação orotraqueal ou nasotraqueal, a cricotireoidostomia é a via aérea cirúrgica de escolha imediata.

Contexto Educacional

O manejo da via aérea em pacientes com trauma facial grave é um dos maiores desafios na emergência, exigindo decisões rápidas e precisas. A prioridade é sempre garantir uma via aérea pérvia e segura, especialmente em pacientes com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 8) e sangramento significativo, que podem levar à obstrução. A estabilização da coluna cervical é uma medida concomitante essencial. Nesse cenário, a intubação orotraqueal é a primeira escolha, mas pode ser extremamente difícil ou impossível devido a distorções anatômicas, sangramento e edema. A intubação nasotraqueal é contraindicada em casos de trauma facial grave com suspeita de fratura de base de crânio (sinal do Guaxinim, sinal de Battle, otorragia), pelo risco de intubação intracraniana e agravamento da lesão. Quando as vias aéreas convencionais falham ou são contraindicadas, uma via aérea cirúrgica de emergência é imperativa. A cricotireoidostomia é o procedimento de escolha nessas situações, por ser mais rápida e tecnicamente mais simples de realizar em emergência do que a traqueostomia, que geralmente requer um ambiente cirúrgico mais controlado e tempo que o paciente grave não possui.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de comprometimento grave da via aérea em trauma facial?

Sinais incluem frequência respiratória alterada, rebaixamento do nível de consciência (Glasgow baixo), sangramento profuso na cavidade oral/nasal, fraturas faciais instáveis, crepitação, estridor e dificuldade para manter a patência da via aérea.

Por que a intubação nasotraqueal é contraindicada em casos de trauma facial grave com suspeita de fratura de base de crânio?

A intubação nasotraqueal pode ser perigosa devido ao risco de passagem do tubo para o crânio através de uma fratura na base do crânio, causando lesão cerebral grave e infecção, sendo uma contraindicação absoluta.

Quando a cricotireoidostomia é a escolha preferencial para o manejo da via aérea em trauma?

É a escolha preferencial quando a intubação orotraqueal é impossível ou contraindicada (ex: trauma facial grave, obstrução de via aérea superior, falha de múltiplas tentativas de intubação) e uma via aérea cirúrgica é necessária rapidamente para salvar a vida do paciente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo