UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022
Um ciclista de 44 anos foi arremessado contra um muro, em alta velocidade, após colisão traseira de um automóvel. Ele não usava capacete, estava agitado e agressivo na cena, e apresenta trauma facial. No momento, encontra-se letárgico e irresponsivo comrespiração ruidosa e oximetria de pulso de 85%. Enquanto mantém o alinhamento da coluna cervical, o médico realiza manobra de elevação do mento e ventilação com pressão positiva, utilizando dispositivo de máscara com válvula e balão que aumenta a saturação de oxigênio de 85% para 92%. Após aspiração da cavidade oral, o médico enxerga o pólo inferior das amígdalas palatinas e tenta a intubação. A ausculta pulmonar permite evidenciar o murmúrio vesicular em ambos os campos pulmonares e a ausência de ausculta de borborigmos no epigástrio. Com base no caso clínico, analise as afirmativas abaixo.Entre as afirmativas, estão corretas
Trauma facial + via aérea ruidosa + hipóxia → priorizar via aérea definitiva.
Em pacientes com trauma facial e rebaixamento do nível de consciência, a via aérea é a prioridade. A respiração ruidosa e a hipoxemia indicam obstrução. A manobra de elevação do mento e a ventilação com pressão positiva são medidas temporárias, mas a intubação pode ser desafiadora devido ao trauma.
O trauma facial, especialmente quando associado a alta energia e rebaixamento do nível de consciência, representa um desafio significativo no manejo da via aérea. A presença de sangramento, edema, fraturas e corpos estranhos pode obstruir a via aérea e dificultar a ventilação e a intubação. A prioridade inicial, conforme o ATLS, é sempre a avaliação e o estabelecimento de uma via aérea patente e protegida, mantendo a estabilização da coluna cervical. A respiração ruidosa e a hipoxemia são sinais inequívocos de obstrução da via aérea. Manobras simples como a elevação do mento ou a tração da mandíbula (jaw thrust) podem ser temporariamente eficazes. A ventilação com pressão positiva através de máscara-balão é uma medida de suporte, mas não uma solução definitiva. A aspiração de secreções e a remoção de corpos estranhos são passos importantes para otimizar a visualização. A intubação orotraqueal é a via aérea definitiva preferencial, mas pode ser extremamente difícil em trauma facial. A visualização limitada das estruturas laríngeas (como o pólo inferior das amígdalas) sugere uma laringoscopia difícil. Nesses casos, a preparação para uma via aérea alternativa, como a cricotireoidostomia cirúrgica, é fundamental.
Sinais incluem respiração ruidosa (estridor, roncos), uso de musculatura acessória, agitação/letargia, hipóxia, e presença de sangramento ou edema facial/oral que obstruam a passagem do ar.
A prioridade absoluta é a avaliação e o manejo da via aérea, garantindo sua permeabilidade e ventilação adequada, enquanto se mantém a proteção da coluna cervical com alinhamento manual.
A via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia ou traqueostomia) deve ser considerada quando a intubação orotraqueal falha ou é contraindicada, especialmente em casos de trauma facial maciço, edema grave ou sangramento incontrolável.
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