UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2019
Homem, 32 anos de idade, vítima de colisão moto X auto, há 20 minutos, é trazido pelo SAMU (ambulância básica e sem médico socorrista) ao pronto-socorro do Hospital Universitário, com colar cervical e em prancha rígida. Na entrada, apresenta-se com múltiplas fraturas em face e com grande quantidade de sangue em cavidade oral e nasal; murmúrio vesicular abolido e hipertimpanismo em hemitórax direito (HTX D), FR = 30 irpm e saturação de O₂ 78%; PA = 70 x 40 mmHg e pulso de 150 bpm; Glasgow variando de 8-10; e com múltiplas escoriações, presença de fratura do 2º e 3º arcos costais em HTX D e sem sinais de trauma abdominal e sem fratura pélvica. Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, a conduta da abordagem inicial ao politraumatizado e a melhor sequência a ser aplicada.
Politrauma grave com via aérea obstruída e pneumotórax hipertensivo → Cricotireoidostomia + Punção de alívio.
O paciente apresenta sinais de obstrução de via aérea (fraturas faciais, sangramento oral/nasal, Glasgow 8-10) e pneumotórax hipertensivo (murmúrio abolido, hipertimpanismo, taquipneia, hipoxemia, choque). A prioridade é restabelecer a via aérea e descomprimir o tórax, seguindo o ABCDE do trauma. A cricotireoidostomia é indicada pela dificuldade de intubação orotraqueal em trauma facial grave com sangramento.
A abordagem inicial ao politraumatizado segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), que prioriza a avaliação e manejo sequencial das vias aéreas (A), respiração (B), circulação (C), disfunção neurológica (D) e exposição (E). No caso descrito, o paciente apresenta comprometimento grave da via aérea devido a fraturas faciais e sangramento, além de sinais clássicos de pneumotórax hipertensivo, uma emergência que ameaça a vida. O controle da via aérea é a primeira prioridade. Dada a dificuldade de intubação orotraqueal por trauma facial e sangramento, a cricotireoidostomia é a técnica de escolha para estabelecer uma via aérea cirúrgica rápida e segura. Simultaneamente ou logo em seguida, o pneumotórax hipertensivo, que causa colapso pulmonar e comprometimento hemodinâmico, deve ser descomprimido por punção torácica de alívio. Após o controle da via aérea e da respiração, a circulação é abordada com o estabelecimento de acessos venosos calibrosos e reposição volêmica com cristaloides para combater o choque hipovolêmico. A sequência correta e rápida dessas intervenções é vital para a sobrevida do paciente, enfatizando a importância de identificar e tratar as lesões que ameaçam a vida de forma imediata e prioritária.
A cricotireoidostomia é indicada para o controle definitivo da via aérea em situações de "não intuba, não ventila", especialmente em trauma facial grave, sangramento orofaríngeo maciço, ou edema de glote que impeçam a intubação orotraqueal.
Os sinais incluem dispneia progressiva, taquipneia, hipoxemia, hipotensão, desvio de traqueia, turgência jugular, murmúrio vesicular abolido e hipertimpanismo no lado afetado. A conduta imediata é a descompressão por punção torácica de alívio no 2º EIC na linha hemiclavicular.
Acesso venoso calibroso (dois acessos periféricos 14G ou 16G) é crucial para a rápida reposição volêmica com cristaloides (ex: Ringer Lactato) em pacientes com choque hipovolêmico, visando restaurar a perfusão tecidual e estabilizar o paciente.
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