Trauma Cervical: Manejo da Via Aérea em Emergência

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Michele, 27 anos, vítima de lesão por arma branca em região cervical lateral esquerda. Apresenta abaulamento cervical esquerdo volumoso, que se estende além da linha média. O paciente encontra-se agitado, com FR: 28 ipm, FC: 110 bpm, PA: 85x53 mmHg e com cianose de extremidades. A conduta imediata a ser adotada é:

Alternativas

  1. A) Realizar cervicotomia exploradora.
  2. B) Realizar entubação orotraqueal.
  3. C) Realizar cricotireoidostomia cirúrgica.
  4. D) Obter acesso venoso e reposição volêmica.
  5. E) Realizar ultrassonografia cervical.

Pérola Clínica

Trauma cervical + abaulamento volumoso + sinais de choque/hipóxia → priorizar via aérea (entubação orotraqueal) para evitar colapso.

Resumo-Chave

Em pacientes vítimas de trauma cervical com abaulamento volumoso e sinais de comprometimento hemodinâmico e respiratório, a prioridade máxima é a segurança da via aérea. O hematoma cervical pode comprimir a traqueia e vasos, levando a obstrução iminente e choque. A entubação orotraqueal é a conduta imediata para garantir a oxigenação e ventilação.

Contexto Educacional

O manejo do trauma cervical é um tópico crítico na medicina de emergência e para residentes, com a avaliação e segurança da via aérea sendo a pedra angular. Lesões por arma branca na região cervical podem causar hematomas volumosos que comprimem estruturas vitais como a traqueia e vasos sanguíneos, levando a um comprometimento rápido e potencialmente fatal da via aérea e da hemodinâmica. A agitação, taquipneia, taquicardia, hipotensão e cianose são sinais de hipóxia e choque, indicando a necessidade de intervenção imediata. A fisiopatologia envolve a formação de hematoma que obstrui mecanicamente a via aérea e/ou causa compressão vascular, resultando em hipóxia e choque. A avaliação inicial segue o protocolo ATLS (Advanced Trauma Life Support), onde 'A' (Airway) é a primeira prioridade. A entubação orotraqueal é a conduta de escolha para garantir uma via aérea patente e oxigenação adequada, prevenindo o colapso respiratório e cardiovascular. O tratamento imediato foca na estabilização do paciente. Após a segurança da via aérea, o acesso venoso e a reposição volêmica são cruciais para o manejo do choque. A cervicotomia exploradora e a ultrassonografia cervical são procedimentos diagnósticos ou terapêuticos importantes, mas secundários à estabilização da via aérea e hemodinâmica. A cricotireoidostomia cirúrgica é uma alternativa para a via aérea em casos de falha da intubação orotraqueal ou contraindicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de comprometimento da via aérea em trauma cervical?

Sinais incluem estridor, rouquidão, dispneia, cianose, agitação, taquipneia e abaulamento cervical volumoso que pode indicar hematoma compressivo. A presença de qualquer um desses sinais exige avaliação e intervenção imediatas.

Por que a entubação orotraqueal é a conduta imediata nesse cenário?

A entubação orotraqueal é imediata para garantir a permeabilidade da via aérea antes que o hematoma cervical aumente e torne a intubação mais difícil ou impossível. A cricotireoidostomia é uma alternativa se a intubação falhar ou for contraindicada.

Como o choque se relaciona com o trauma cervical e a via aérea?

O choque (hipotensão, taquicardia) indica perda volêmica significativa, que pode ser agravada por lesões vasculares cervicais. No entanto, a hipóxia devido à obstrução da via aérea pode precipitar ou agravar o choque, tornando a via aérea a prioridade inicial.

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