Trauma Grave: Prioridade da Via Aérea e Intubação

HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2019

Enunciado

Paciente masculino, 35 anos, trazido pelo SAMU, unidade básica, à sala de trauma de hospital de referência, colar cervical e prancha rígida. O relato do pré-hospitalar dizia que a vítima conduzia sua moto que colidiu contra um ônibus, trazendo deformidade deste e ejetando o motociclista cerca de 20 metros. No exame físico inicial, havia respiração ruidosa com sangue na cavidade oral, crepitação de arcos costais com colabamento do hemitórax direito durante a inspiração, deformidade pélvica com rotação interna do membro inferior esquerdo e amputação traumática do membro inferior direito abaixo do joelho, emitia sons incompreensíveis, com flexão patológica dos membros superiores, olhos abertos com assimetria pupilar, a maior estando à direita. A conduta terapêutica a ser imediatamente instituída é:

Alternativas

  1. A) intubação orotraqueal
  2. B) torniquete pneumático no membro inferior direito
  3. C) redução da pelve com cinta pélvica ou lençol
  4. D) toracostomia com drenagem em selo d'água

Pérola Clínica

Via aérea comprometida (respiração ruidosa, sangue na boca, Glasgow baixo) → intubação orotraqueal imediata.

Resumo-Chave

O paciente apresenta múltiplos sinais de comprometimento grave da via aérea (respiração ruidosa, sangue na cavidade oral) e do nível de consciência (sons incompreensíveis, flexão patológica, assimetria pupilar indicando TCE grave), tornando a intubação orotraqueal a conduta mais imediata e prioritária para garantir a permeabilidade da via aérea e oxigenação.

Contexto Educacional

No atendimento ao paciente politraumatizado grave, a sequência de prioridades segue o mnemônico ABCDE do ATLS (Advanced Trauma Life Support). A primeira e mais crítica etapa é a avaliação e manejo da Via Aérea (A de Airway) com controle da coluna cervical. O paciente do enunciado apresenta múltiplos sinais de comprometimento grave da via aérea e da ventilação: respiração ruidosa com sangue na cavidade oral, além de um nível de consciência severamente rebaixado (sons incompreensíveis, flexão patológica, assimetria pupilar, indicando um Glasgow muito baixo e provável Trauma Cranioencefálico grave). A respiração ruidosa e a presença de sangue na cavidade oral indicam obstrução ou risco iminente de obstrução da via aérea. Um paciente com Glasgow ≤ 8 (como sugerido pela flexão patológica e sons incompreensíveis) tem indicação formal de intubação orotraqueal para proteger a via aérea de aspiração e garantir ventilação e oxigenação adequadas. Embora o paciente tenha outras lesões graves (tórax instável, pelve, amputação), nenhuma delas tem prioridade sobre a garantia de uma via aérea pérvia. Portanto, a conduta terapêutica a ser imediatamente instituída é a intubação orotraqueal. As outras opções (torniquete, redução pélvica, drenagem torácica) são importantes, mas vêm após a estabilização da via aérea e da respiração. A prioridade é sempre "tratar o que mata primeiro", e a obstrução da via aérea é a causa mais rápida de morte em trauma.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de comprometimento da via aérea em um paciente traumatizado?

Sinais incluem respiração ruidosa (estridor, roncos, gorgolejos), agitação, cianose, uso de musculatura acessória, incapacidade de falar, sangue ou vômito na cavidade oral, e alteração do nível de consciência.

Quando a intubação orotraqueal é indicada em pacientes com trauma?

A intubação é indicada para proteger a via aérea em pacientes com Glasgow ≤ 8, comprometimento iminente da via aérea (edema, sangramento), insuficiência respiratória grave, hipoxemia ou hipercapnia refratárias, ou necessidade de hiperventilação controlada em TCE grave.

Qual a importância da avaliação da Escala de Coma de Glasgow no trauma?

A EGC é crucial para avaliar o nível de consciência e a gravidade do trauma cranioencefálico. Uma pontuação baixa (≤ 8) é um forte indicativo de necessidade de intubação e ventilação mecânica para proteção da via aérea e controle da oxigenação cerebral.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo