UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015
Paciente de 22 anos, motociclista, foi surpreendido por uma “linha de papagaio ” e teve secção cervical anterior com sangramento local, dispneia, escape aéreo e afonia. Consciente, atendendo aos comandos e Sat O2 de 90%. A melhor alternativa, neste momento, para manutenção da via aérea é
Trauma cervical com via aérea comprometida, paciente consciente e cooperativo → Intubação orotraqueal é a primeira escolha se possível.
Em um trauma cervical com comprometimento da via aérea (dispneia, escape aéreo, afonia) mas com o paciente ainda consciente e cooperativo, a intubação orotraqueal é a abordagem inicial preferencial. Ela permite o controle definitivo da via aérea de forma menos invasiva que as vias aéreas cirúrgicas, desde que a anatomia permita e o profissional seja experiente. A SatO2 de 90% indica hipoxemia e urgência.
O manejo da via aérea em pacientes com trauma cervical é uma das prioridades no atendimento inicial, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). Lesões cervicais, especialmente aquelas que afetam a laringe e a traqueia, podem levar rapidamente à obstrução da via aérea, com risco de vida. A avaliação rápida da permeabilidade da via aérea, ventilação e oxigenação é fundamental. No caso apresentado, o paciente está consciente e cooperativo, apesar da dispneia, escape aéreo e afonia, e uma SatO2 de 90% indica hipoxemia. Nessas circunstâncias, a intubação orotraqueal é a primeira escolha para o controle definitivo da via aérea, desde que seja tecnicamente possível e realizada por um profissional experiente. A intubação deve ser feita com técnicas que minimizem o movimento cervical, como a estabilização manual em linha (MILS), para evitar lesões adicionais na coluna. As vias aéreas cirúrgicas, como a cricotireoidostomia (seja por punção ou cirúrgica), são reservadas para situações de 'não-intubar, não-ventilar' ou quando a intubação orotraqueal falha ou é contraindicada devido a distorções anatômicas graves ou lesões maciças da laringe/traqueia. A traqueostomia é geralmente um procedimento eletivo ou de urgência, mas não de emergência imediata no cenário agudo de trauma. A máscara laríngea é uma opção supraglótica, mas não oferece proteção definitiva contra aspiração e pode não ser eficaz em casos de lesão traqueal ou laríngea grave.
A intubação orotraqueal pode ser contraindicada ou extremamente difícil em casos de trauma cervical grave com distorção anatômica maciça, fratura de laringe ou traqueia com perda de continuidade, ou quando há sangramento ativo e maciço que impede a visualização das cordas vocais.
A cricotireoidostomia por punção é uma técnica de emergência mais rápida, usando um cateter e agulha para criar uma via aérea temporária. A cricotireoidostomia cirúrgica envolve uma incisão e inserção de um tubo, sendo mais definitiva e preferível em situações onde a punção não é suficiente ou o tempo permite.
Sinais de comprometimento iminente incluem dispneia progressiva, estridor, rouquidão ou afonia, enfisema subcutâneo cervical, hematoma expansivo no pescoço, sangramento ativo na via aérea e agitação ou letargia devido à hipóxia/hipercapnia.
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